MOINA RIDES AGAIN ( OU AINDA AS LEMBRANÇAS DE INFÂNCIA)
A super intelectual brasileira e irlandesa Moina Fairon Rech, me honra com um comentário sobre as minhas reminiscências de infância.
Leiam e se deliciem com o estilo e a erudição:( quando ela fala em nossa cidade, refere-se a Santa Cruz)
Caro Ruy.
Agatha Christie no seu livro biográfico, dá um conselho: ” A gente nunca deve voltar aos lugares onde se foi feliz. um dia…”.
Eu acredito que o que ela queria dizer era que, se a gente esperasse ter, em certos lugares e em certas épocas, as mesmas sensações, então melhor seria não voltar ,pois nunca se consegue repetir o que passou. Nesse ponto concordo com ela.
Quanto a nossa cidade, não há como não voltar sempre que possivel. Na verdade, a cidade cresceu e mudou bastante, as pessoas envelheceram ,mas lá no fundo, nossa cidade ainda está lá, escondida debaixo de um surto de progresso. Não mais é possivel andar pela cidade do jeito que ela era na nossa infância e juventude. Muita coisa mudou. É claro que tem muitos lugares longe dos meus caminhos habituais, que parecem ter brotado durante a noite só para me causarem espanto.
Fora a rua principal que virou uma bagunça de lojas, com o som aos altos brados, tentando atrair a freguesia, existe muita coisa que ainda está igualzinho a 50 anos atrás. A casa da dona Ludmila, por exemplo. Dá gosto de ver a casa, sólida e imutável. Parece que naquele local o tempo parou e tem um jeito de eternidade! Gosto muito de ver aquela casa. Para mim é um elo com o tempo que passou e me faz lembrar muito da minha avó que morava na casa ao lado. Até as gérberas plantadas no jardinzinho em frente, devem ser descendentes daqueles tempos idos.
Depois de morar em muitos outros lugares, acabamos voltando para Santa Cruz e chegamos a conclusão de que foi a decisão mais acertada que tomamos.
Na nossa casa atual tem muitos passarinhos soltos, árvores e ainda bastante silêncio, mesmo sendo tão perto do centro. O que mais a gente pode desejar?