DESCENDO DO AVIÃO
Claro, eu compreendo, meus avós chegaram da Alemanha há pouco, menos de 120 anos, MAS meus neurônios, meu DNA, meus leucócitos ainda não se adaptaram aos pântanos, às cobras, aos sambas, ao ” dia de sol gostoso com muito calooooorrrr”.
Acontece que na Alemanha me esqueceram e esqueceram meus avós. Só na igrejinha lá de Zeltingen-Rachtig há o registro de uns loucos que, ao invés de rumarem para os EUA como todos alemães ajuizados, aceitaram o convite de D. Pedro e foram para a terra Brasilis. Largaram a colonada em S.Leopoldo, no banhado e depois em S. Cruz. Nada de neve e no verão, só calor.
Pois 120 anos não é nada para mudar uma cultura corporal de 150 quaquilhões de anos de Gessingers nos Alpes…
Tudo para dizer que não suporto Santa Cruz no verão, nunca suportei. Agora, é-me sumamente dolorido suportar lá na fazenda o calor. É demais, meus miolos fervem e saem pelas orelhas e se derretem, escorrendo pelas pernas.
Pior, na praia também está quente.
Desço do avião que me traz da Ilha da Fantasia, onde tudo é lindo e ninguém sabe o preço de nada e o dinheiro da maioria está no Exterior e o Salgado Filho me recebe com uma língua de fogo.
Não me saem da memória as imagens das vilinhas desde S.Jerônimo, onde o avião fez a volta, até as cabeceiras do aeroporto.Pobre gente, padecendo, queimando viva no calor.
Entro no meu apartamento e ligo o split com um baita sentimento de culpa. Ao menos purgarei minhas dores existenciais no frio. Quanta miséria, quanta miséria. Oh Deus, por que gente que não tem culpa nesse processo deletério que vai explodir nosso planeta tem que sozinha arcar com as custas e os prejuízos? Por que mulheres que gostam de transar mas engravidam a cada ano, têm que sofrer e ver seus rebentos, frutos da ignorância e do amor bêbado, desidratados? Por que não encaramos de frente o problema da dissociação de sexo com fecundação?
Permalink Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 164.
Nivia Andres disse,
4 de Fevereiro de 2010 @ 11:22
Estou sumamente inclinada a ter um colóquio severo com o Señor El Niño! Quem ele pensa que é para submeter-nos a essa antecâmara do Inferno, fornalha ardente em que se transformou o nosso belo e gentil habitat sulino?
Estou me sentindo péssima, suando em bicas (será que os “burrinhos” conhecem a expressão “suar em bicas”? Eheheheh, livrei-me da Ana Amélia, generalizei a ignorância…)
Voltando ao Terror Vermelho do Pacífico, fui informada de que ele encontra-se indisponível para qualquer naipe de comunicação, no momento, porque está em colóquio amoroso com a Señora La Niña, ansioso para colocar no mundo mais uma penca de filhotes das correntes marinhas que regem as temperaturas nessa parte pobre do mundo…Ah! Que saudades das neves austríacas! (Nunca pensei que iria dizer isso, porque até a semana passada, adorava o verão…)