CENAS DE CAMPANHA
Ontem foi um dia histórico na estância. Instalei, solenemente, a internet a rádio. É que a sede fica no ponto mais alto da região toda. Das casas se vislumbra a vizinha e bucólica Unistalda, com sua torre. Pronto: no alto da minha caixa d’água instalamos a antena que nos dará internet para todos: aos filhos dos peões e a eles próprios. Será minha vingança com meu capataz Luis César: quando acontece um imprevisto ele costuma me dizer
- mas eu le avisei, lembra?
E eu fico sem como provar o fato negativo.
Agora vou ensinar a ele como ” se bate a máquina ” no computador e vou abrir uma pasta com os mails dele.
Estão com medo que agora a peonada se corrompa olhando porcarias? Acho que não: nem a Globo com suas novelas conseguiu isso.
Mas que vai ser uma barbada eles mandaram dados ” on line” para a Arco e para a associação de Angus, isso vai. Sem falar no controle de estoques etc.
Os maricás estão florindo, deixando um perfume dos deuses no ar. Sabiam?
Com a regularidade das chuvas, os campos estão um pastiçal só e a natureza vai se regenerando. Agora é só diferir ( deixar vazias para só usar depois) umas invernadas para o inverno, que cruzaremos esse mar tempestuoso com vento de través.
Vocês sabiam que os gansos vivem em comunidade e que todos, mas todos mesmo ajudam a criar os filhotes? É lindo de os ver, garbosos, marchando em filha indiana para os açudes.
Outro sarro é quando a gente põe uma galinha a chocar ovos de pata. Quando eclodem, os patinhos se mandam para nadar e espadanar no açude e a ” mãe” galinha fica aos gritos desesperados na beira, chamando-os de volta?
Os fins de tarde começam a ser dourados. O sol começa sa se por mais cedo, lá pros lados da Argentina, numa extrema cumplicidade com os campos crioulos, nativos, que também principiam a ficar dourados. E, dos açudes, saltam as faíscas de luz.
Cenas de campanha.