PAULO SANT’ANNA SE CANDIDATA A CANONIZAÇÃO
Conheci o então Inspetor de Polícia Sant’Anna em São Jerônimo. Morava numa casa simples perto do rio Jacuí.
Na então TV Gaúcha havia um programa - Conversa de Arquibancada - em que ele se escalava, trazendo uma proposta inédita: não era neutro, era gremista. Com seu jeito quase louco foi fazendo sucesso.
O falecido Maurício Sirotski era apaixonado por ele e o convidou para ser colunista de ZH.
Suas crônicas desconcertantes em que desnudava, sem pejo, sua triste e desvalida infância, tudo isso condimentado por uma formidável dose de autopiedade, mais ousadia sem limites, o foram fazendo famoso.
Formou-se em Direito, fez concurso para delegado, foi vereador, mas na hora de lances mais altos, rodou do cavalo.
São conhecidos , nos meios da imprensa, seus acessos de fúria, de sorte que quase todos lhe dão passagem, menos, talvez, o professor Ruy Ostermann.
Assim como acontece com alguns juízes ( magistrados) em todo o mundo, que se sentem semi-deuses dado o terrivel poder de julgar, Sant’Anna foi avançando em temas como filosofia, direito, teologia e até física quântica.
Semana passada, durante o programa do Macedão, ele tomou conta, pautou parte dos assuntos, para silêncio respeitoso de todos os demais. E anunciou , com pompa e circunstância, que para este domingo publicaria a maior crônica de sua vida e, até, num acesso de mercancia, vaticinava o aumento da tiragem de ZH.
E a montanha pariu uma desideratazinha, dessas que circulam pela internet, dessas do bom-mocismo, autolaudatórias, uma verdadeira Sidra quente, servida em dia abafado.
Como o reputo uma pessoa que, conquanto lhe faltem alguns fundamentos, bastante inteligente, só posso crer que a crônica tenha sido um baita deboche, uma sacanagem, uma ironia.
Vejam essa parte:” que eu seja assim, benévolo, condescendente, piedoso, construtivo, diligente no bem…”.
Ou está lançando as bases para mais uma igreja a exemplo da Record, ou se candidatando a Santo Sant’Anna, antes da morte.