QUEIMAR AS PONTES II
Loucura o número de mails que recebí, todos de mães e avós, me acusando - todas, todas - de que minha postagem tinha sido dirigida a cada uma especificamente.
Assim como: não devias ter te aproveitado de teres conhecimento de minha vida, para a escancarar assim no teu blog;
eu sei que é de mim que estavas falando; na verdade tu és carente e tens inveja do carinho que dou aos meus filhos;
eles não vão passar o que passei: eles vão ter tudo o que eu não tive;
tens que te tratar ou voltar ao útero de tua mãe.
Salientou-se um mail que recebo de leitora de Cachoeira do Sul, que usa o pseudônimo de Blaue Augen e que professa: te esqueces de que nós, mulheres , fomos feitas para isso: para cuidar de filhos e netos .
Outra, de Lavras do Sul me disse que o filho dela foi injustiçado pelo juiz, só porque matou em legítima defesa famélica e ela se ofereceu para cumprir a pena no lugar do pobrezinho. Lamenta que o juiz não aceitou.
A última, de Santa Maria, me disse que o filho incorporou ao Exército e que vai entrar na Justiça Federal com um pedido liminar para que possa acompanhar o indefeso rebento nas manobras e marchas, preparando comida para ele e vendo se está bem coberto à noite. Disse que o coronel comandante se mostrou insensível.
Bem, considerando que minha mãe me tomava todos os pilas que eu ganhava quando morava com ela e o pai ( no tempo em que dos 14 aos 16 anos trabalhei em Assmann SA), cheguei a cogitar de contratar um advogado para processar dona Ludmila, só para ela ir na frente do Promotor e ser obrigada a pagar cestas básicas para se livrar da masmorra. Como me lembrei, num intervalo de lucidez, que tudo está prescrito e mais: que ela poderia entrar com uma reconvenção contra mim e talvez me tomasse uma grana preta, querendo lucros sobre tudo o que ganhei graças à educação que ela me deu, recuei.
“Deixêmo”, como se diz em Unistalda.
Mas , todas as que me mandaram os mails furiosas admitiram que eu não era de todo mau e que no meu peito batia um coração. Querem que eu relate como foi o final, como foi depois que eu fiquei chorando lá em Três de Maio.
Pois é: cheguei no Hotel em Três de Maio e lá estava hospedada uma turma de mineiros e mineirinhas, lá de Juiz de Fora, do tal Projeto Rondon. (Pô Tusi, se não sabes o que Projeto Rondon, vai no Google). As gurias eram bem evoluídas para seu tempo. Uma viu que eu estava triste. Correu até um mercadinho e voltou com uma garrafa de Drink Dreher e me arrastou para o quarto dela, expulsando as outras três colegas .
Depois não me lembro mais de nada.