O PARADOXO GRÊMIO X FLAMENGO: QUE CAMPO FÉRTIL PARA FILOSOFAR.
Vamos iniciar deixando claro que futebol é muito mais que um jogo. Envolve interesses, nacionalidades, dinheiro, túneis, construção de metrôs, justifica falhas ao serviço e até guerra entre dois países já deu.
Futebol tem poucas regras e é a maior vitória do Direito Consuetudinário sobre o analítico ou escrito ( exemplo é a Constituição Brasileira que, apesar de ter um quaquilhão de artigos, não funciona).
Fifa e Conmebol, por exemplo, se lixam para nossa Constituição, onde está escrito que nenhuma lesão poderá ser subtraída ao exame do Judiciário. O Inter quase foi rebaixado à 2a. Divisão por ter um torcedor seu, sim : um torcedor ter entrado na Justiça contra a CBF. Fifa e Conmebol odeiam que os clubes as desobedeçam. E é por isso que o futebol funciona.
Os Tribunais Desportivos punem atletas flagrados pela TV, mesmo que nada conste da súmula.
O Grêmio não tem justificativa plausível para mandar os reservas contra o Flamengo. Antecipar férias é lorota. Está escancarado, pois, o desiderato de perder.
Sou colorado, mas a maior parte de meus amigos são gremistas. O Grêmio sempre teve grandes dirigentes, homens probos e vencedores.
Que dilema ético para Duda Kroeff, filho do patrono do Grêmio. Que dilema para homens inatacáveis como Adalberto Preiss, Raul Régis, Paulo Odone e tantos outros.
Pessoalmente acho impossível o Grêmio, mesmo com os titulares, ganhar do Flamengo no Maracanã. Não ganhou de ninguém, quanto mais de um time que está voando.
Também não torço por nada, pois o Inter está garantido na Libertadores e, realmente, não merece o Campeonato, depois de absurdas derrotas e da pífia atuação no 2. turno.
Apenas estou curioso a ver como vai se desdobrar tudo isso.
O que eu faria, se fosse o inverso?
Como torcedor, torceria para o Inter perder.
Como dirigente? Salvava minha biografia. Mandava jogar às ganhas.
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comentário de Loeffler:
Bom dia Ruy.
Na minha juventude fiz o curso de formação de árbitros da FGF. O Diretor do Departamento de Árbitros era o Major Rudi Auler, do Exército, filho de Igrejinha. O professor do curso o então Sargento Ludendorfe Xavier, se a memória não me trai já formado em Ciências Jurídicas e Sociais. O Rudi faleceu já faz tempo. O Xavier ainda vive. As regras são 17 no papel. Tratam desde o tamanho e peso da bola até o número de atletas em campo, cujo número não pode ser inferior a sete. Coincide com a Maçonaria, mas neste aspecto fico por aqui. Há a décima oitava que não está no livrinho. É o bom senso. Atividade penosa esta, pois, durante uma disputa há 22 bandidos em campo, 11 para cada lado, fazendo de tudo. Socos, pontapés, tostões, cuspida no rosto e por aí vai. Terminado o jogo sai o árbitro filho da maior puta do mundo, sempre. E os jogadores geralmente vão tomar uma ceva em algum puteiro. Que atividade desgraçada. Mas não fica por aí. Ser dirigente é algo um tanto estranho em minha maneira dever. Eles não são remunerados, abrem mão de suas atividades profissionais por dois anos ou mais e continuam muito felizes. Algo de errado há não te parece? Lembro-me do caso de um Presidente do meu Grêmio, envolvido numa trampa com um gordo cheque em dólares. Ele e alguns figurões mais. Restou condenado e o processo anulado. Desmoralizado está. Podes concluir deste texto que sou gremista, mas não perco os poucos cabelos que me restam, ganhando ou perdendo qualquer jogo. Este do final de semana confesso que nem mesmo quero saber em que horário será realizado.
Abraço.