FINADOS
Finados
No próximo dia 2 cumpre-nos reverenciar nossos mortos.
É importante esse culto aos antepassados, pois eles, na maioria das vezes, são os responsáveis pela correção de nossas vidas. Nas mais variadas culturas , mesmo nas mais antigas, está presente essa memória dos que nos antecederam.
Gosto muito de visitar cemitérios. Cada povo tem seu jeito peculiar de os construir e organizar. Na cidadezinha de Zeltingen-Rachtig, Alemanha, de onde vieram meus avós, o cemitério é lugar de visitas todo o ano e, inclusive, o que é comum na Europa, há uma enorme parede onde se encontram os nomes dos soldados locais que tombaram nas duas guerras.
Já na minha cidade natal, Santa Cruz, vale a pena um passeio no cemitério, para se ver a quantidade de inscrições em alemão e conhecer a história das famílias germânicas que fizeram o poderio daquela terra.
Também gosto de visitar o campo santo de Santiago, com construções de muito bom gosto, onde repousam homens e mulheres de famílias-tronco daqui. Por igual aprecio muito visitar os cemitérios de campanha, com suas cruzes isoladas, enfrentando sozinhas as invernias, as secas, as geadas, as noites, as tempestades, abrigando aquele campeiro que lá jaz.
Não sou um campeiro propriamente dito, mas nada me impede de tentar ser um. E como tal, quero ter meu último descanso. Pensei bem onde fincar minha cruz. Acabei me resolvendo por um jardim que cultivo há 10 anos, bem na frente da estância. Retirei as pedras, cerquei, plantei árvores, flores, sempre corto a grama, ergui uma parede de pedra-ferro e ali coloquei duas poesias que fiz: uma para Santiago e outra para Unistalda. E é na Unistalda, que tanto adoro, que ficarão minhas cinzas.
Está tudo pronto.