A PRIMEIRA VEZ QUE FUI AO RIO DE JANEIRO

A Nivia Andres, jornalista de escrita elegante e perspicaz, me espicaça instando que leve uma armadura nessa viagem ao Rio, em que vou participar, pela Ajuris, de um torneio esportivo. Embarco daqui a pouco.

E aí me lembrei como o Rio mudou nos últimos anos.

Eu era estudante do 4. ano de Direito lá na URGS, era 1968, era ainda mais ingênuo do que hoje, tanto que me preocupava com futebol profissional e torcia doidamente pelo Inter. Não havia Brasileirão: disputava-se o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O Inter ia jogar no Rio contra o Flamengo.

Comprei uma passagem pela Sadia( que depois virou Transbrasil),para pagar em dez vezes e me fui, sentadinho ao lado do falecido dirigente Aldo Dias Rosa.

No estádio tudo era festa e os torcedores do Flamengo pensavam que éramos do América, que tem camisa vermelha. Sentamos ao lado da torcida advesária, sem nenhum problema, tudo numa ” bouuuua”.

Flamengo 1 x 0, com gol de Fio (Fio maravilha, nós gostamos de vocêeeeee)
Na saída, um amigo e eu fomos beber umas brahmas num boteco perto.

Na manhã seguinte fomos à praia em Copacabana. Famílias se reuniam em torno das redes de vôlei. Fiquei parado olhando, 1,85 de altura, nariz vermelho, brancola e os caras me convidaram em inglês para jogar junto. Disse que era gaúcho, aceitei suco de laranja que me ofertaram e até uma moreninha quis atar uma carreira comigo, mas não deu tempo, pois o avião saía no começo da tarde. Peguei o endereço dela e disse que mandaria uma carta. Perdi o papelucho e não me lembro nem do nome da guria, que tinha, como os castelhanos dizem “una bundita de avispa”. E beijava de um jeito que nunca havia visto.E isso perto dos pais dela, que achavam tudo muito lindo e choraram junto quando me despedí. “Vou te esperar, gauchinho” soluçava ela, me enfiando a língua na boca.

Era assim, o Rio. Camaradagem, risada, hospitalidade.
Mudou um pouco, mas os garçons continuam os melhores do mundo. Para eles, todo mundo é doutor.

E eu, com os cabelos tordilhos, continuo sendo um ” mister”. Ainda mais todo vermelhão do sol.

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1 Comentário »

  1. Nivia Andres disse,

    21 de Outubro de 2009 @ 09:27

    Continuo achando que a armadura é um bom cuidado em se tratado de visita à cidade maravilhosa…Da minha janela, aqui em POA, escuto o barulho do avião. O Ruy já deve estar a caminho.

    A história dos cariocas acharem que os gaúchos são estrangeiros é notória. O tipo físico é diferente dos brasileiros, em geral. Principalmente se são descendentes de alemães,como é o caso do Ruy e de nossa família, Andres. Como tínhamos parentes no Rio (duas tias que, por medida de segurança e por se sentirem desconfortáveis em armaduras, picaram a mula e mudaram-se para Santiago) eu e minhas irmãs, frequentemente, pássavamos as férias no Rio. Altas (as três com 1,76cm), louras e brancas, éramos taxadas de dinamarquesas, suecas, noruguesas etc. Era só chegar na praia,feira, loja que vinha um bando de vendedores afoitos, tentando comunicação em inglês. Muito brincamos com isso. Uma perguntava o preço em inglês; a outra, em português…A diferença era astronômica!

    Ah…como eram maravilhosas aquelas férias no Rio, sem armadura e sem violência. Em 30 dias ficávamos cor de canela, com o cabelo mais louro ainda e cada vez mais nórdicas.

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