Atravesso a Praça da Matriz e me incomodo um pouco com tanto calçamento, estradinhas internas, gradís. Pior ainda que alguém , de péssimo gosto, mandou erguer um “quiosque” ali na frente do Palácio.
Vejo colegiais passando e fico a pensar. Será que essa gurizada sabe que no Pampa, na nossa Campanha, está tudo amarelo de Maria-Moles? É uma flor parecida com a margarida, toda amarela. Linda, não? Linda mas tóxica e venenosa. Se o campo estiver rapado de grama e a vaca comer a tal maria-mole, não escapa da morte. Modo de controlar? a ovelha. Para a ovelha não faz mal. Não me perguntem por que.
E o mio-mio, aquela ervinha bem verde, que se sobressai no inverno, quando o pasto está torrado e amarelo. As vacas e ovelhas “crioulas” do campo onde tem mio-mio o evitam. Mas boi que vem de Pelotas, por exemplo, acha aquela ervinha verde a coisa mais queridinha, come e morre ” ervado”. E a ” primavera” que é aquela árvore de flores multicolores ( azul, roxa, branca) que o cavalo come, dá uma puta cólica e lá se vai ele. E o caraguatá que se não o controlares, não te deixa nem passar a cavalo. Pois a ovelha come o brotinho e assim não o deixa se proliferar demais.
E a carqueja? para chimarrão só a carquejinha. o gado não come, mas ovelha sim. E a macela, que a gente colhe na semana santa? o gado não a deixa crescer e florir no campo. Daí porque você tem que a colher no corredor.
Os matos, por esta época, estão com um verde escuro cheio de multicores, por causa dos ipês, amarelos e roxos e outras árvores que dão flores.
Subo no elevador do edifício Tribuno, onde está meu escritório, e pergunto a um empregado da portaria que vai levando uma encomenda para um andar acima:
- tchê, tu sabes o que é maria-mole?
O moreno , que me conhece há mais de dez anos me olha, mostra as canjicas e devolve:
- faca, doutor, faca! eu, hein?