Arquivo de 20 de Outubro de 2009

VIROU CAIPIRAGEM, CHINELAGEM

Estava demorando.

Mas fui obrigado a ouvir um foguetório ensurdecedor agorinha mesmo , na Praça da Matriz, em gáudio e regozijo pelo arquivamento do impeachment.

Por mim, tudo ok com o arquivamento. Não fomos nós que elegemos os deputados? Pois então.

Agora, essas práticas raivosas, foguetório, isso até pode existir nas paragens ao norte do Mampituba. Em nossa História ainda não havia visto.
Pois é: morrendo e aprendendo.
É um novo jeito….

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DE MARIA-MOLES, MIO-MIOS E CARAGUATÁS

Atravesso a Praça da Matriz e me incomodo um pouco com tanto calçamento, estradinhas internas, gradís. Pior ainda que alguém , de péssimo gosto, mandou erguer um “quiosque” ali na frente do Palácio.

Vejo colegiais passando e fico a pensar. Será que essa gurizada sabe que no Pampa, na nossa Campanha, está tudo amarelo de Maria-Moles? É uma flor parecida com a margarida, toda amarela. Linda, não? Linda mas tóxica e venenosa. Se o campo estiver rapado de grama e a vaca comer a tal maria-mole, não escapa da morte. Modo de controlar? a ovelha. Para a ovelha não faz mal. Não me perguntem por que.

E o mio-mio, aquela ervinha bem verde, que se sobressai no inverno, quando o pasto está torrado e amarelo. As vacas e ovelhas “crioulas” do campo onde tem mio-mio o evitam. Mas boi que vem de Pelotas, por exemplo, acha aquela ervinha verde a coisa mais queridinha, come e morre ” ervado”. E a ” primavera” que é aquela árvore de flores multicolores ( azul, roxa, branca) que o cavalo come, dá uma puta cólica e lá se vai ele. E o caraguatá que se não o controlares, não te deixa nem passar a cavalo. Pois a ovelha come o brotinho e assim não o deixa se proliferar demais.

E a carqueja? para chimarrão só a carquejinha. o gado não come, mas ovelha sim. E a macela, que a gente colhe na semana santa? o gado não a deixa crescer e florir no campo. Daí porque você tem que a colher no corredor.

Os matos, por esta época, estão com um verde escuro cheio de multicores, por causa dos ipês, amarelos e roxos e outras árvores que dão flores.
Subo no elevador do edifício Tribuno, onde está meu escritório, e pergunto a um empregado da portaria que vai levando uma encomenda para um andar acima:
- tchê, tu sabes o que é maria-mole?
O moreno , que me conhece há mais de dez anos me olha, mostra as canjicas e devolve:
- faca, doutor, faca! eu, hein?

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