O FRACASSO DA CULTURA DA POUPANÇA
São emblemáticos os casos de portugueses, com suas padarias, gringos de São Marcos, com seus caminhões, alemães com suas sapatarias que se transformaram em indústrias, gente simples que saiu do nada e se realizou de um jeito ou doutro.
Não menos emblemáticos os casos de fortunas que se dissiparam num zás.
Convivi, em pensão de estudantes, com um sem número de jovens, como eu, que se alçaram, tendo vários atingido Tribunais Superiores, renome em suas áreas, sucesso.
Em todos os casos havia : tenacidade, foco no projeto, muito estudo, vida espartana e, principalmente, poupança. Você tinha que gastar menos do que ganhava.
Hoje, por força profissional, enquanto me encaminhava para o local de uma reunião, passei à frente de uma lancheria. Ví um grupo de meninotas e rapazes que, por suas vestes, denotavam proceder da periferia. Pois comiam pizzas. Pizza, para mim, é o maior estelionato alimentar que conheço, pois é feita de massa e um pouco de fiambres. Os insumos não podem ser mais baratos, mas cobram como se fosse camarão, lagosta ou filé. Esses jovens estavam lá gastando o suor e sangue de seus pais, ao certo operários de construção.
Também me admiro muito como os peões de estância gastam em celular. É um absurdo.
Em francas palavras, quase ninguém mais quer poupar, renunciar, esperar, construir um sólido conhecimento com pertinácia.
Como é que vamos ser uma economia sólida sem poupança? Como é que um dia seremos uma Irlanda, ao menos, se poucos querem renunciar , ao menos por um tempo, à lassidão?
O que se vê é os pais querendo um atalho para seus filhos: para as meninas, a carreira de modelo; para os rapazes, serem jogadores de futebol.
E, nas lotéricas, senhores e senhoras de idade jogando na mega sena.
Para?
Sim, para, ganhando, conseguirem comprar algo para filhos e netos.
Sentem-se culpados pelo fato de os filhos e netos não terem dado para nada.
E é por isso que vão para a fila de matrículas e outras coisas mais, no lugar dos sadios adolescentes.
Os idosos sentem-se responsáveis pelos fracassados que geraram.
É uma tragédia. Principalmente quando um descendente, enveredando pelo tóxico, se impacienta pelo pouco dinheiro que sua avó lhe dá.
Só tem um jeito: rédea curta e pouca bóia, rectius, pouco dinheiro na mão dos filhos.