AH! OS ENGODOS E A WELTANSCHAUUNG
É realmente difícil imaginar Beethoven ou Mozart, cercados de campônios, tentando os convencer de que a falta de percussão e gritos no meio de suas sinfonias, eram sinal de fineza, de arte, de bom gosto.
Quem não tem iniciação, jornada de cultura, berço, solidão para pensar e refletir, paciência para evoluir, reduz, reduz e reduz, tudo ao simplista e ao trivial.
Vamos aos comerciais.
Voltamos.
É o seguinte: o brasileiro está começando a melhorar de vida, dólar baixo, mas a finesse…está bem escassa.
Daí o sucesso das duplas sertanejas.
As músicas ditas ” nativistas” tentam resistir ao ” motelmusic” dos goianos e outros menos votados, mas incorrem num erro de perspectiva.
Nunca vi nem ouvi um peão de estância que tocasse gaita ou violão. Quem descreve a atmosfera do campo é o doutor. Sim, é o médico Aureliano de Figueiredo Pinto, é o Nenito Sarturi, um urbano, sou eu, um urbano que deu certo no campo porque introduziu métodos de gestão urbanos.
O povo dessas cidades de ” campanha” gosta mesmo é de novela, gosta de carnaval, de pagode , de sertaneja.
A música nativista está fadada a só o Fogaça e eu gostarmos. Nós dois, mais o Kleiton e o Kledir, o Borghetti,podemos ser proprietários de tratores, mas nem sabemos fazer funcionar um.
O próprio Nico Fagundes, meu ídolo, um baita dum intelectual, antropólogo, filósofo,não é, propriamente, um homem campeiro.
Minha música campeira é minha cosmovisão ( Weltanschauung). Não tem nada a ver com os peões que, ao sairem de folga, vestem jeans e ” amuntam” na moto.