JOSÉ PAULO BISOL
Visitando o blog de Júlio César Schmitt Garcia, dou com um vídeo de Bisol.
Quando ingressei na magistratura no início dos anos 70, eu era um deslumbradinho pela vida e pelas coisas. Tivera uma infância boa, adolescência excelente, Faculdade ótima, passara no concurso depois de dois anos advogando. Tal mundo não era wonderful?
Na sede campestre da Ajuris jogava-se um bom futebol. E logo conhecí colegas mais antigos inquietos. Inquietos e não tão deslumbrados assim. Gaiger, Koch, Fábio Koff, Rocha Lopes e, destacando-se bastante, a meus olhos, Bisol.
Cara normal, jogava bem, tomava cerveja como todos, mas criticava a atuação do nosso Tribunal e via com olhos extremamente críticos a própria ação de julgar.
Nesses papos pós jogos ele e seus ” jagunços” ( o grupo político de juízes que acabou independizando a Ajuris frente ao Tribunal) foram me inquietando e me fizeram começar a pensar criticamente e lá me fui aos jurisfilósofos de cuja existência até então não soubera.
Bisol e seu grupo foram amealhando, silenciosamente, seguidores e talharam, decisivamente, as gerações seguintes de juízes.
Acompanhei-o por boa parte da vida.
Depois ele trilhou outros caminhos, na TV, no rádio, na Política.
Sempre levando sua lanterna crítica.
É isso o que considero o mais importante. Bisol sempre levantou dúvidas, sempre suscitou a discussão. Sem ele a magistratura gaúcha talvez tivesse demorado bem mais a ser o que é dentro do país. Talvez tivesse sido bem mais dócil e atrelada, como ainda parece ser em alguns lugares fora daqui.
Bisol foi decisivo na minha vida .
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