Arquivo de Outubro de 2009

FINADOS

Finados

No próximo dia 2 cumpre-nos reverenciar nossos mortos.

É importante esse culto aos antepassados, pois eles, na maioria das vezes, são os responsáveis pela correção de nossas vidas. Nas mais variadas culturas , mesmo nas mais antigas, está presente essa memória dos que nos antecederam.

Gosto muito de visitar cemitérios. Cada povo tem seu jeito peculiar de os construir e organizar. Na cidadezinha de Zeltingen-Rachtig, Alemanha, de onde vieram meus avós, o cemitério é lugar de visitas todo o ano e, inclusive, o que é comum na Europa, há uma enorme parede onde se encontram os nomes dos soldados locais que tombaram nas duas guerras.

Já na minha cidade natal, Santa Cruz, vale a pena um passeio no cemitério, para se ver a quantidade de inscrições em alemão e conhecer a história das famílias germânicas que fizeram o poderio daquela terra.

Também gosto de visitar o campo santo de Santiago, com construções de muito bom gosto, onde repousam homens e mulheres de famílias-tronco daqui. Por igual aprecio muito visitar os cemitérios de campanha, com suas cruzes isoladas, enfrentando sozinhas as invernias, as secas, as geadas, as noites, as tempestades, abrigando aquele campeiro que lá jaz.

Não sou um campeiro propriamente dito, mas nada me impede de tentar ser um. E como tal, quero ter meu último descanso. Pensei bem onde fincar minha cruz. Acabei me resolvendo por um jardim que cultivo há 10 anos, bem na frente da estância. Retirei as pedras, cerquei, plantei árvores, flores, sempre corto a grama, ergui uma parede de pedra-ferro e ali coloquei duas poesias que fiz: uma para Santiago e outra para Unistalda. E é na Unistalda, que tanto adoro, que ficarão minhas cinzas.

Está tudo pronto.

Adicionar comentário 30 de Outubro de 2009 às 11:37 Ruy Gessinger

MOINA FAIRON RECH RIDES AGAIN

Santa Cruz do Sul é um criatório de artes e letras. Sempre foi. Lya Fett Luft é de lá. E Moina também.
Pois a irrequieta Moina aflora toda sua perspicácia em mais um baita livro, gostoso do princípio ao fim:

AVENTURA NA AMAZÕNIA

o LANÇAMENTO SERÁ NA FEIRA DO LIVRO, EM P. ALEGRE, DIA 11 DE NOVEMBRO, 16,30.

E ela me manda um chasque dizendo assim: ” como dá para ver pelo convite, serão 50 minutos de suspense para ver se aparece alguém para pedir autógrafo. Espero que sim.”

Vou dr uma palhinha do livro para vocês:

” E poderia continuar desfiando: em casa, na cozinha, no tanque e no quartel.. Foi assim que dei o grande passo em direção ao futuro: unir minha vida à do homem que eu amava. Aos 19 anos de idade casei-me com um militar! Desse modo, posso afirmar que foi no começo dos anos 50 que sentei praça no Exército Brasileiro. ( ….) ”
Moina, que até então se dedicara às aulas de piano e canto, teve que aprender a viver uma nova realidade, na qual viveu peripécias que…
Paro por aqui…..Vocês imaginam como ela foi parar na Amazônia? Isso nos anos 50?

O livro? Comprem na Feira. É bom, bonito e barato.

Adicionar comentário às 08:45 Ruy Gessinger

LUGARES COMUNS NO FERIADÃO

Vamos coletar as surpreendentes sacadas de nossa imaginosa mídia:

* PRF, BM, etc, anunciam rigor nas estradas, com bafômetros e radares;
* free-way congestionada, dksdfjbfrwuhuerwcv carros por minuto;
* turistas paulistas invadem Gramado- Canela em busca de neve em pleno Finados
* Maria Degolada e Teixeirinha são os campeões de visitas no Finados
* Se dirigir não beba, se beber, não dirija
* a festa na praia não tem hora para terminar…
* paulista se decepciona por falta de neve em Gramado

Mudando de assunto: Fernando Albrecht queixa-se das “locutoras ” do 0800 que parecem estar mascando chicletes enquanto falam. Engano, meu querido: é o recrutamento. É o recrutamento entre as mais burraldas do pedaço.

Bueno, quer ver outra coisa? Há comerciais de empresas gaúchas com sotaque paulista ou carioquês… Capaaaaz que vou comprar algo de quem pronuncia ” num estô inteiiindeiinduuu”, ou um chiado enervante de favela carioca. Não, não é xenofobia: é apenas resistir à Globo-lização geral.

Amanhã volto com matéria terna e comovente, relativa à única coisa certa com que podemos contar: com nossa própria morte.

Fico matutando: pra quê Dia de Finados, se nem mais temos, nas paredes, os retratos de nossos pais e avós?

Adicionar comentário 29 de Outubro de 2009 às 21:50 Ruy Gessinger

CARNE E OBA OBA

Não estou sozinho. Olhem o que diz o site Vide Versus de Vitor Vieira:

FGV mostra que gaúcho de Porto Alegre é otário, o inventor do churrasco tem a picanha mais cara

O preço do quilo do corte de uma das carnes mais populares para o famoso churrasco gaúcho, a picanha, é mais caro em Porto Alegre do que em outras seis capitais brasileiras.

O levantamento, feito pelo economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas, revela que o quilo do produto custa R$ 25,90 em Porto Alegre, sendo o mais caro entre as capitais onde a FGV calcula o Índice de Preços ao Consumidor-Semanal (IPC-S). Brasília registra o segundo maior preço: R$ 22,22. Em seguida, aparece São Paulo (R$ 21,11). Em Belo Horizonte, o corte da carne custa R$ 21,02 o quilo. No Rio de Janeiro, o mesmo produto custa R$ 19,06. Em Recife, o pernambucano come um excelente churrasco de picanha por R$ 17,25, quase 50% a menos do que em Porto Alegre.

———
Prossigo eu: como assim? Se nos pagam 2,50 o kg vivo do boi, se a carcaça, portanto, dá 5,00, só otário para pagar 25,90.

Adicionar comentário às 06:04 Ruy Gessinger

MÍDIA, INFORMAÇÃO: ESTAREMOS TODOS VIAJANDO NA MAIONESE?

Me desculpem se teimo em abrir minha alma e não me prostituir por proposta nenhuma. Mesmo porque se não o fiz até agora, que dirá conspurcar minha opaca trajetória nessa altura do campeonato.

Tenho pena dos vendilhões da alma, que ora baixam o pau em A, para depois ajoelharem-se conspícuos ante o novo deus A.

Abro os jornais e os sites e o que leio são obviedades canto-chão. Parecem aqueles cantilenas de monastérios;

Digam-me:
a) não são falsas aquelas placas na rs 287 indicando a construção de uma estrada para Herveiras? São verdadeiras aquelas placas autolaudatórias, indicando belas estradas no trecho Paraíso do Sul- Santa Maria, onde reinam os buracos e os remendos? Pode isso? pode-se mentir institucionalmente?

b) Gente, a vaca gorda , há um ano, esteve em 2,80 o quilo vivo. Hoje está em 2,00 e não baixou um pila no super. O que está havendo? os anúncios em página inteira dos supermercados estão calando a liberdade de imprensa?

O senhor sabia que estão lhe cobrando 15,00 reais por quilo de cordeiro quando nos pagam 2,00 o quilo vivo, o que representa 4,00 o kg da carcaça? ( Não entendeu? o cordeiro de 40 kgs, é carneado e o que sobra de osso e carne é 50%;.

c) acho que os formadores de opinião ganham mal, passam dificuldades, não conseguem viajar e, por isso, não veem que o RGS está mal. Claro, o cara que nunca saiu do seu povoado acha o máximo o grude que come ao meio dia. Assim o comunicador, ” rectius”, o oráculo da única verdade que , contaminado pelo mundinho do seu estúdio, proclama o unissono .

d) e o que são nossas atrações turísticas? coisas pontuais, forçadas, postiças. E as praias? já que se acerca o verão, pergunto: e o que fazem de nosso IPTU nessas cidades balneárias? Fora o Jorge Loeffler, quem é que grita?

Mas, falando sério: quem é que vai querer gastar seus dólares em nossas praias e nessas imitações baratas de ” Alpes” e ” Bavárias” que são Gramado e Canela?

E dê-lhe elogios, palmas!

Menos mal que a grande imprensa ao menos deu valor aos maravilhosos, hiper criativos dirigentes da OSPA. Na falta de criatividade de gestores públicos acovardados, foram tocar em templos e igrejas, bem perto do povo.

OSPA- talvez a única instituição nobre e verdadeira em nossas ruínas.

Cantemos nosso hino ante o olhar estupefato dos ” de toda a Terra”. Dos quais somos modelo.

Adicionar comentário 28 de Outubro de 2009 às 20:53 Ruy Gessinger

UMA LÁGRIMA PARA A JOVEM RAINHA

Cruzei por Novo Barreiro há alguns anos, quando voltava de um Festival em Palmeira das Missões. Município de pequenos agricultores , colonos. Lugar em que a miscigenação de gente de várias procedências deu margem a pessoas muito bonitas. Está aí o exemplo da Gisele Bündchen, neta do meu amigo Walter Bündchen, ex prefeito de Horizontina.

Aline Jahn , pelo que vi das fotos, era uma dessas lindas meninas que encantam o mundo. Os pais, ao que deduzo, trabalhavam na sua pequena propriedade. É provável que na frente da casa houvesse um bem cuidado jardim e que tivessem um pomar e uma horta de verduras. Intuo também que fizessem suas refeições juntos e rezassem antes de tocar nos talheres.

Aline, menina que conheci pela Zero Hora, foi eleita rainha da Feira da cidade. E consta que teve tal entusiasmado desempenho que a Câmara de Vereadores decidiu homenageá-la. Alguém deve ter limpado bem o Fuca e um sobrinho de 5 anos pediu para ir junto.

E lá se foram felizes pela estrada, a Rainha Aline envergando seu vestido e nos cabelos a tiara real.
Anteviam as emoções dos discursos. Aline, nos seus 17 anos, sentia seu coraçãozinho pulsar mais forte. Já estava na época do vestibular, o futuro era a coisa mais risonha possível. Talvez até entrasse para a política.

Um estrondo e o Fuca foi arremessado contra um caminhão.
O casal de pais, a Rainha Aline e o menino de 5 anos morreram na hora.
Falar o que num hora dessas? Dizer o que no velório?
O culpado, em verdade, é o minuto.
Um minuto a mais que a Rainha tivesse demorado a arrumar o cabelo; um minuto a mais para pentear e colocar gel nos cabelinhos do menino e não teria havido o abalroamento.

E eu e você, que me acompanha? Será que nós já fomos salvo pelo minuto? Pode ter certeza que sim. Mas pode ser que um dia ele - aquele fatídico minuto - nos condene.

1 comentário às 06:20 Ruy Gessinger

O CASO DO NAMORADO VIOLENTO OU SE A MODA PEGA

Boa parte dos programas de rádio e TV de hoje de manhã me informaram ” ad nauseam”, sobre esse episódio ocorrido no bairro TrIsteza, onde um senhor, ao ” furucar” num site de relacionamentos, descobriu ” irregularidades ” da sua querida. Pega isso, mais vinho, mais descontrole, um pouco mais de cerveja e… bang. Explodiu.

A moça , que já não cozinha na primeira fervura, conseguiu se mandar pela janela. O don Juan se recusou a sair, dizendo estar armado.

Câmeras em mim, agora.
Me digam, quanto custou aos cofres públicos mobilizar dezenas de brigadianos, viaturas, etc por causa de um porre e de uma discussão passional? E temos que pagar essa conta? Toda uma madrugada os PMs mobilizados.

Eu sei, eu sei. Ninguém quer mais se incomodar, está todo mundo com medo.
Só digo uma coisa: esse exemplo de leniência, sim leniência vai frutificar. Em seguida alguém, em busca de notoriedade, vai repetir a cena. Faltarão poiliciais para tanto cara descornado.

E lhes garanto: esse episódio aí no Canadá, nos Estados Unidos, em Israel, no Japão, terminaria em 10 minutos.

2 comentários 27 de Outubro de 2009 às 12:26 Ruy Gessinger

MAIL DE RUTH LANT D’ESLUMBRATTA

Muito a contragosto e a despeito de abrogação da Lei de Imprensa, concedo a palavra à minha ex amiga Ruth, que me fere lancinantemente naquilo que tenho de mais puro e autêntico, minha pieguice e minha ingenuidade. Isso não implica dizer que não entre contra ela com ação de danos morais.

Eis a epístola eletrônica

————-

Oi meu Rubiesito de antanhos dias ( en que eras rubio, hoy sos tordillo).

Como dizem minhas netas, NOOOOOSSSSAA, como és piegas, Rudyzinho! Vais ao Rio, para onde sempre vais a cada trimestre, e ficas postando amenidades, olvidado dos encantos do Leblon, do Leme ( com o restaurante Schirley - te esqueceste como te segurei tuas pernas por baixo da toalha enquanto comíamos um robalo naquele dia em que voltaste chorando depois daquele Flamengo 1x0 em cima do Inter, gol de Fio?).
Tu estás ficando novo-rico! Te deslumbraste com a Barra da Tijuca, onde só tem jogador de futebol, dono de supermercado, etc. E esqueces teus colegas de rede de volley na frente do Hotel Marambaia. E te alças a maioral. Eu soube que pagaste um voo de helicóptero para teus amigos, só para sobrevoar as Ilha de Cagarras, brindando.

Mas o pior é que anuncias que vais voltar lá para os teus fundões.

Te pergunto: e a cidade de P. Alegre, onde te formaste? Nenhuma palavra sobre a Livraria Cultura no Shopping Bourbon, nada sobre a efervescente vida cultural da Saraiva, no Praia de Belas? Enroscado nas tuas bombachas e no teu ” campeiros Life” enalteces o nihilismo da cultura nos teus grotões, onde nem livraria tem, onde é só nhécofum.

Teu blog está é nivelando por baixo. E o pior é que aqueles que te leeem ficam acreditando que o mundo começou e terminou ali, que tudo se resume a querelas de arrabalde.
Tu ainda vais ver. O dia em que executares aquele solo de violino do Mendelssohn, o pessoal vai acompanhar batendo com os garfos nas brahmas.
Para finalizar, quero te dizer que, decepcionada, vou queimar as flâmulas que me presenteaste dos times do Rio, naquele ano de l965, do Bonsucesso, do Canto do Rio, do Olaria e do América.
Me desculpe, mas é um desabafo.
Continuas casado?
Me liga.

1 comentário 26 de Outubro de 2009 às 19:10 Ruy Gessinger

COPACABANA PERDEU UM FREQUENTADOR; BARRA GANHOU UM Fã

Pois é amigos, como sempre digo, tudo o que é bom dura pouco, ou é pecado ou engorda.
Chegou a hora de voltar.

Ajudei AJURIS a ganhar o campeonato de futebol sênior.Tive o prazer de jogar contra antigos colegas do Paraná, São Paulo e Rio. Três vitórias, sempre o tio aqui jogando na zaga. Me preparei muito para isso, me cuidei, adelgacei, fiz reforço muscular e volto agora, são e salvo, sem nenhuma lesão.

Foram momentos de muitas confidências, abraços, memórias.
Gente, toneladas de verbas foram e são derramadas no Rio de Janeiro. Eu não conhecia a linha amarela, que nos largou lá de Jacarepaguá dentro do Aeroporto. Não vi um assalto, nada. Fico pensando,e o povo sempre alegre, os garçons sempre prestativos…( Também com um clima desses, é covardia).

Todos os anos ia para Copacabana. Cambiei agora para a Barra daTijuca. É menos gente, praia limpa, marzinho azul, bons restaurantes, movimento de gente bonita.
Recomendo para quem estiver estressado. Já frequentei praias espalhadas pelo mundo.Ainda fico com as do Rio.
Amanhã estarei de volta aos pagos, meio remanchando, mas voltando.

1 comentário às 12:26 Ruy Gessinger

VILEGIATURAS IV

O sábado amanheceu soberbo na Barra da Tijuca, mais precisamente na Praia dos Namorados. Céu azul, uma brisa e o mar cristalino , cristalino. Após um breakfast só de frutas nos fomos para a Vargem grande onde são realizados os jogos. Tiro dado, Rio de Janeiro deitado ( ontem ganháramos do Paraná). Voltamos cantando no ônibus quais colegiais de 15 anos. Chegamos ao Hotel e nos fomos para a praia bem em frente. Uma entrada na água e já fomos direto para a tendinha que ocupamos desde a chegada, sentados debaixo de uma castanheira. Uns vão na água de coco e outros naquela que o passarinho não bebe.
Depois, num restauratezinho simpático à Beira Mar, um filé de tilápia ao molho de camarão, com camarões mesmo, mais purê e arroz. Aquele almoço de terminar 15 horas, com direito a toda a preguiça.
O problema do Rio de Janeiro são as enormes distâncias e os engarrafamentos: a viagem do aeroporto até a Barra leva uma hora. Da Barra até Vargem Grande mais uma hora. Daí estar florescendo o transporte por helicóptero.

Aqui na frente do Hotel temos a presença permanente da Polícia Turística. Muito americano, alemão, sueco. O Rio é muito simpático e, apesar da criminalidade, que eu não vi e nem senti epidermicamente, o turismo é um rio de dinheiro.

A verdade é que o carioca é treinado e acostumado a ser gentil e mimoso. E quem não gosta de ser bem tratado?
Prometi voltar 2a. feira à terra dos gaúchos, mas ando com pouca vontade.
Vamos ver….

1 comentário 24 de Outubro de 2009 às 13:40 Ruy Gessinger

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