CURTAS & GROSSAS HOJE COMETI UM ERRO ATROZ

DOMINGOS NA MINHA ADOLESCÊNCIA

27 de Junho de 2009 às 18:41 Ruy Gessinger  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 296

Não sei não, acho até meio piegas o que ando escrevendo. Mas como recebí várias mensagens dizendo para continuar, então tenho um bando de piegas junto comigo. Vamos lá.

A Santa Cruz dos meus 16 anos foi a coisa mais linda que já ví. Pena que não existe mais aquela. O que não desmerece a atual.

Era uma cidade de tamanho médio, mas muito rica, tanto economica, como culturalmente. Sempre houve imigrantes alemães em Santa Cruz. Meus avós eram. Mas, após a guerra vieram levas de novos alemães e, atrás do fumo e seus desdobramentos, acorreram norte-americanos, holandeses, ingleses.

Ao lado de nossa casa, na rua Tomás Flôres, bem no centro, veio morar uma família de americanos. O filho do casal, Steve, usava umas calças super estranhas. Eram de uma espécie de lona azul, com rebites nos bolsos ( era os primeiros jeans) e usava camisas vermelhas!! Sim, um homem usando vermelho.

Santa Cruz tornou-se uma cidade germano-americana. Nos bailes glamurosos as mulheres vestiam-se como nos filmes. As orquestras ( Cassino e Jatibá), imitavam Glenn Miller.

Domingos, às dez da manhã, iniciava-se o ” footing” na rua principal. Era um desfile incrível de toda a juventude da cidade, tanto católicos , como protestantes. Havia as ” turmas” de rapazes, que andam em grupos, sempre com um líder. Eu tinha a minha, mas transitava por outras.

Nesses footings combinava-se com as gurias o encontro no cinema, às 14 horas. Deixava-se as luzes se apagarem e a gente se sentava ao lado da menina. Com o tempoo ficava-se de maozinhas e em seguida saiam os beijinhos.

Terminada a ” matinée” no cinema, seguia-se, lá pelas 18 horas, a soirée dançante num dos clubes. Muito bolero e samba-canção. Rosto colado, às vezes dançando apertado e a menina colaborando encostando sua saia mais rodada na pausa, para ajudar a gente a disfarçar a ereção.

Por volta de 20 horas terminava a brincadeira e volta pra casa para terminar os deveres.

Outro grande lance, em matéria de posicionamento social, era ser sócio do Tênis Clube. O Tênis foi o primeiro clube a construir uma piscina em S. Cruz. Eu ralei vendendo cestas de natal e outras bugigangas para comprar um título. Coloquei, aos 16 anos, minhas irmãs de minhas dependentes.

Que dia feliz quando também eu peguei um calção seco , enrolado numa toalha onde estava escrito ” bom dia” ( quem andava com isso no centro estava mostrando que ia tomar banho de piscina e que, portanto, pertencia à high society). Primeiro desfilei com minha toalhinha o que pude lá pelo centro. Depois me dirigí ao Tênis. Que emoção quando mergulhei naquela aguinha azul e transparente! Aquilo era tudo o que eu queria na vida. Aquilo era meu céu.

Da piscina obervava as garotas desfilando com seus maiôs e suas protuberâncias, motivos de tantos ” pecados solitários”.
Aos 16 anos eu fui o garoto mais feliz do mundo. Eu tinha uma bici, era sócio do Tênis Clube e tinha uma namoradinha que me dava beijos na boca.
Depois, chegou a vez de ir a P. Alegre: vendí a Bici, vendí o título do Tênis, perdí minha namorada para um velho de 23 anos do Banco do Brasil e tudo mudou.

Mas isso é outra História.

Outra hora volto com a síndrome que alguns tinham: ter vergonha de ser ” alemão”.

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