Arquivo de Junho de 2009

MORNAS & REQUENTADAS

* VENTO FORTE

A noite inteira, aqui na Duque, 10. andar, o vento zumbiu e andou de a cavalo com os fantasmas. Cedo, pela manhã, ví várias árvores caídas e o pessoal de motosseras na mão fazendo a limpeza.

O fato de Porto Alegre ter, a meu ver, parado de crescer em termos demográficos, foi altamente benéfico. São sensíveis os sinais de recuperação.
Agora, atenção! Estão surgindo mendigos “high society”. Nas imediações do teatro São Pedro, Assembléia, Tribunal, jovens bem vestidos, abordando pessoas e pedindo uma ajuda de custo. Um desses andróides, metido a bacana, levou um corridão meu hoje: ” sai pra lá, meu, vai trabalhar”.

* AS RAINHAS, AH! que CANSAÇO!

Do meu apartamento e no meu caminho para o escritório, ali ao lado do Teatro S. Pedro, vejo o ridículo desfile das ” rainhas” indo da Assembléia para o Piratini.Pobres menininhas, acompanhadas dos prefeitos e dos vereadores, denotando nas suas caraças rubicundas, sua origem pouco afeita à modernidade, troteando e se achando. Rainhas e princesas disso e daquilo, com direito a faixas e sorrisos congelados. Que coisa mais triste.

Se eu fosse Governador, diria:
- gurias, vão ali e coloquem um biquini e voltem. Isso de vestidões arrastados não tá com nada. E vocês, prefeitos e vereadores, tratem de apresentar um projeto de lei revogando a lei da gravidade e parem de gastar diárias aqui em P. Alegre.

* CARROS OFICIAIS DO INTERIOR

Que deboche.
Municipiozinhos , com orçamentos apertados, não param de mandar seus carrinhos de gabinetes à Capital.
Pena que a grande imprensa não faça uma reportagem. E a colonada, a peonada, os babacas do interior bancando o turismo dos ” ichpehhhtinhos” caciques políticos, cooptando a oposição por uma volteada na ” Tia Carmen”.

* O QUE TEM DE VAREJEIRA

Em torno de gabinetes!!
Agora com essa bobagem de jornada de 40 horas.
É um milagre que ainda existam professores. São heróis e heroínas que trabalham 25 horas por dia e cuidando , muitas vezes, de pivetes e pivetas, filhos de pais boçais e e irresponsáveis.

* PARA COLECIONAR

Frases e expressões originais, boas para forçar um vômito:

- um beijo no coração!
- com certeza!
- e aí, senhores ouvintes, e aí, amigos e aí,
- assim, amigos, ou seja, então…..
- e amanhã voltaremos se Deus quiser e ele quer…..

- queria mandar um abraço para ….
- agora vamos trabalhar, falar com o professor e se Deus quiser, acho que, com certeza…
- e aí, surgiu do nada, …né, né, né

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REQUIEM PARA AS CARTAS

Quantas poesias, crônicas, livros, canções, foram dedicados às cartas. Love Letters, Cartas de Amor.

Nas línguas que eu compreendo, há inúmeras obras de arte tendo-as por objeto. E aí entra o carteiro, a espera por ele, a aflição da espera. Em vários países havia o Correio Aéreo. Nas guerras, eram as portadoras de más e boas notícias. Mas sempre indispensáveis. Cartas foram elemento de convicção em várias ações com as quais tive contato: foram prova em ações de investigação de paternidade, provas de adultério, provas até de crimes.

Geralmente, no entanto, foram usadas para transmitir amor, afeição, amizade.

A informática, tão benéfica, trouxe, no entanto, em seu bojo, a inexorável sentença de morte das missivas escritas.

Tenho um querido e bom amigo de minha idade. Nossos pais foram amigos. Estudamos juntos todo o ensino básico, cursamos juntos a faculdade e tivemos, por dois anos, sociedade num escritório de advocacia. A partir dos 26 anos passamos a morar em cidades diferentes. Ele hoje vive em Florianópolis. Até há uns dez anos nos mandávamos cartas. Isso implicava escrever a mão, dobrar, fechar o envelope e o levar ao Correio.

Meu amigo não se amansou no Computador, negou sua existência, assim como não quis saber de celular , nem de CDs. Não sabe fazer home banking.

Nossos contatos passaram a ser feitos por telefone fixo, o que hoje não é prático.
Ele continuou a me mandar cartas por alguns anos. Eu as respondia mandando mails para seu filho, a quem pedia que os imprimisse e entregasse a ele. O filho dele fez isso duas vezes e depois não mais.
Nossa amizade mermou. Ficamos distantes.
Fui visitá-lo um dia, depois de anos de ausência. Nossa conversa durou só 15 minutos. Tínhamos mudado os dois.
Abrimos um vinho e colocamos na vitrola dele um LP: Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart.

Ouvimo-lo até o fim em silêncio. Nos despedimos dispensando-nos um ao outro de comparecer as exéquias do primeiro que partisse.

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HOJE COMETI UM ERRO ATROZ

Faz mais ou menos 200 anos que ví um filme russo em preto e branco: ” me compre um papai”. Chorei muito quando o ví. Achei o máximo aquela cena em que o menino, sentado num galho de uma árvore, estava a 100 metros do chão, segundo a perspectiva da câmera. Corta para o namorado da mãe dele e o mesmo levanta os braços e pega a criança de um galho a 1 metro de altura.

São assim as visões de nossa infância. São assim as percepções de nossos cabelos tordilhos, torcendo o nariz para os arrulhos dos adolescentes.

Mas vamos aos fatos, sem mais tardança.

Hoje, na vinda da estância para P. Alegre, cruzei por Santa Cruz, entrei e fui visitar minha mãe, mais com o intuito de roubar-lhe umas cucas e lhe entregar umas costeletas da nova safra de cordeiros lá da Unistalda, ( que ela insiste em depreciar só porque não tem mais de 500 casas) .

Pois não é que ela me convenceu para almoçarmos lá no Fingerhut, onde, há 50 anos, íamos tomar banho no Rio Pardinho? Naquele rio de águas cristalinas, com seixos e peixes? com aquelas enormes matas ciliares? Aquelas casas enormes feitas de pedras de arenito, aqueles cerros cobertos de mato, as estradas estreitas de chão.

Pois é, fomos a um bom restaurante,após percorrermos 10 kms de asfalto, praticamente uma casa perto da outra em toda a extensão . E o rio…. bem estreitinho e pardo…. Comida boa, sem dúvida.

Mas…

Violei hoje um santuário do meu imaginário. Poluí meus guardados mentais.
Ainda bem que foram poucos que profanei.
Não posso mais fazer isso. Tenho que deixar intangidas minhas memórias.
Será que vocês me entendem?

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DOMINGOS NA MINHA ADOLESCÊNCIA

Não sei não, acho até meio piegas o que ando escrevendo. Mas como recebí várias mensagens dizendo para continuar, então tenho um bando de piegas junto comigo. Vamos lá.

A Santa Cruz dos meus 16 anos foi a coisa mais linda que já ví. Pena que não existe mais aquela. O que não desmerece a atual.

Era uma cidade de tamanho médio, mas muito rica, tanto economica, como culturalmente. Sempre houve imigrantes alemães em Santa Cruz. Meus avós eram. Mas, após a guerra vieram levas de novos alemães e, atrás do fumo e seus desdobramentos, acorreram norte-americanos, holandeses, ingleses.

Ao lado de nossa casa, na rua Tomás Flôres, bem no centro, veio morar uma família de americanos. O filho do casal, Steve, usava umas calças super estranhas. Eram de uma espécie de lona azul, com rebites nos bolsos ( era os primeiros jeans) e usava camisas vermelhas!! Sim, um homem usando vermelho.

Santa Cruz tornou-se uma cidade germano-americana. Nos bailes glamurosos as mulheres vestiam-se como nos filmes. As orquestras ( Cassino e Jatibá), imitavam Glenn Miller.

Domingos, às dez da manhã, iniciava-se o ” footing” na rua principal. Era um desfile incrível de toda a juventude da cidade, tanto católicos , como protestantes. Havia as ” turmas” de rapazes, que andam em grupos, sempre com um líder. Eu tinha a minha, mas transitava por outras.

Nesses footings combinava-se com as gurias o encontro no cinema, às 14 horas. Deixava-se as luzes se apagarem e a gente se sentava ao lado da menina. Com o tempoo ficava-se de maozinhas e em seguida saiam os beijinhos.

Terminada a ” matinée” no cinema, seguia-se, lá pelas 18 horas, a soirée dançante num dos clubes. Muito bolero e samba-canção. Rosto colado, às vezes dançando apertado e a menina colaborando encostando sua saia mais rodada na pausa, para ajudar a gente a disfarçar a ereção.

Por volta de 20 horas terminava a brincadeira e volta pra casa para terminar os deveres.

Outro grande lance, em matéria de posicionamento social, era ser sócio do Tênis Clube. O Tênis foi o primeiro clube a construir uma piscina em S. Cruz. Eu ralei vendendo cestas de natal e outras bugigangas para comprar um título. Coloquei, aos 16 anos, minhas irmãs de minhas dependentes.

Que dia feliz quando também eu peguei um calção seco , enrolado numa toalha onde estava escrito ” bom dia” ( quem andava com isso no centro estava mostrando que ia tomar banho de piscina e que, portanto, pertencia à high society). Primeiro desfilei com minha toalhinha o que pude lá pelo centro. Depois me dirigí ao Tênis. Que emoção quando mergulhei naquela aguinha azul e transparente! Aquilo era tudo o que eu queria na vida. Aquilo era meu céu.

Da piscina obervava as garotas desfilando com seus maiôs e suas protuberâncias, motivos de tantos ” pecados solitários”.
Aos 16 anos eu fui o garoto mais feliz do mundo. Eu tinha uma bici, era sócio do Tênis Clube e tinha uma namoradinha que me dava beijos na boca.
Depois, chegou a vez de ir a P. Alegre: vendí a Bici, vendí o título do Tênis, perdí minha namorada para um velho de 23 anos do Banco do Brasil e tudo mudou.

Mas isso é outra História.

Outra hora volto com a síndrome que alguns tinham: ter vergonha de ser ” alemão”.

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CURTAS & GROSSAS

*CATÃO, O CENSOR, RIDES AGAIN.

VITOR VIEIRA ( VIDE VERSUS), não deixa por menos.

Simon volta a fazer papel de Catão do Senado e pede a saída de Sarney

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) retomou o seu papel de “Catão” do Senado Federal, subiu à tribuna nesta quinta-feira e pediu para que o presidente da instituição, senador José Sarney (PMDB-AP) saia do cargo.

“Eu digo aqui com profundo sentimento de mágoa, não gostaria de dizer o que vou dizer, Sarney tem que se afastar da presidência. Já falei isso, não da tribuna, mas falei. Ele deve se afastar. Para o bem dele, da família dele e do Senado. Não que a saída dele signifique auto-culpa, punição, pelo contrário. Representa ato de grandeza”, defendeu Simon. Então tá…. acredite quem quiser. O Pais inteiro sabe e espera que Sarney saia do cargo, porque ficou insuportável a sua situação, mas Pedro Simon tinha que demonstrar que havia pedido a saída de Sarney. Simon não fez absolutamente nada para que ficasse clara a impossibilidade da permanência de Sarney, está lá há 16 anos, e nunca viu nada das peraltices da República do Maranhão, mas agora tinha de pedir a saída de Sarney. Então ta….Pedro Simon disse que ”Sarney é responsável pelo lixo, sim”: “Todos somos, principalmente o presidente do Senado. É muito bom ser presidente para fazer política. Mas é importante ver onde está o lixo”.

O seráfico e impoluto Senador também está na hora de dar lugar a outro.

* FELIPÃO VAI ÀS COMPRAS

Quem dá essa é o Albrecht, do Jornal do Comércio. Felipão estaria comprando terrenos da Ulbra por 40 milhões.
Deve ser verdade, pois Felipão gosta de investimentos imobiliários, tem excelentes aplicações na Serra. Em Canoas, onde possui belo apartamento, também tem seus interesses. Quem toca a maior parte de seus negócios é um cunhado.
Felipão é sério e comedido em suas transações. Boa sorte.

DOROTEO FAGUNDES VAI RODAR RUY GESSINGER NA GAÚCHA DOMINGO.

Quem me repassa a informação é minha atuante assessora para assuntos de informação ” inside”, sra. Mônica Leal.
Nesse meu segundo CD ( Pampa - Sons e reflexões), todos com músicas de minha autoria e letras com várias parcerias, exponho minhas percepções da vida rural e urbana.

Um abraço às comunidades de Porto Alegre, Pelotas, Carazinho, Passo Fundo, Cruz Alta, Santa Cruz, São Leopoldo, que passam rodando minhas obras.

E um abraço ao Doroteo, que vem cunmprindo com maestria a missão de suceder a Nico Fagundes no programa Galpão do Nativismo. Doroteo é humilde e gosta de aprender. Foi indo pelas beiradas, assessorou-se bem e migrou de um programa quase só musical, para a modernidade de um ” talk show” de arrasadora audiência.

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MAIL DA SOCIALAITE RUTH LANT

Oiê Rúdy! Estou aqui em London acompanhando meu personal que veio para ver os jogos de Wimbledon. Não te inscreveste para jogar duplas na categoria de veteranos ou masters? Como é mesmo o nome daquele ricaço que jogaste em Xangri La com ele, um fazendeiro, o Gasparotto se apaixonou por ele, parece que o nome é Paulo Nicola.

Rudy eu estava secando a Sharapova, porque ela parece uma gata no cio, dando aqueles gritos, parece que o personal dela não faz o serviço completo.

Ruyzinho eu passo mentindo que sou argentina. Tenho vergonha de dizer que sou brasileira. Olha só. Agora mesmo assisti ao jogo da seleção brasileira e o Joel Santana , técnico da África dos tais dos bufanas deu uma entrevista em inglês e a TV teve que botar legendas em inglês. Outra coisa: como é que contratam um cara tão feio, né Rudy.

Passam aqui me perguntando se o Brasil é na África e essas coisas.

Rudy eu acessei teu blog: imagina que pega na internet da Inglaterra! Como é que te fizeste assim internacional….

Mas estou muito decepcionada contigo: como é que declaras que foste jogar futebol, esse jogo de bagaceiras, eles passam se agarrando, tiram a camisa, pedem o cartão amarelo para os colegas de profissão, não falam direito. Só tem o Kaká que é legal, mas eu acho que ele tem que aprender a jogar tênis ou golfe. Outra coisa: como é que declaras que tu, um magistrado na época na ativa, te enfiaste naquele pulgueiro da boate Volver. Que fiasco: devias ter ido na boate do Sheraton e onde é que se viu ficar dançando tango… que coisa mais antiga. E ainda: bem que atiraste fora o papelucho com ” la dirección” daquela moça, ninguém vai me convencer que tu não ias entrar numa fria com aquela ” oxigenada” ( já notaste que as argentinas são todas loiras e com aquelas caras compridas que parece que comeram e não gostaram? ).

Ruyzinho: alugamos um carro aqui em Londres, mas o meu personal bateu num daqueles ônibus de dois andares que vinha na contra-mão e ainda achava que estava certo… Conheces algum advogado aqui? Eles querem nos cobrar os prejuízos. Todos aqui andam na contra-mão.
Bjs molhados.

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QUEREM QUE EU SÓ CONTE HISTÓRIAS

Fico impressionado com o número de mails que recebí a propósito da postagem de ontem, sobre minhas peripécias em Buenos Aires. Muitos, despudoradamente, achando que acabei arrastando a indefesa Mabel ao Hotel.

E me pedem que largue de falar em Direito, Agricultura e Política e só conte causos ou histórias.

A que ponto chegamos.
O diacho é que sou, realmente, junto com Chico Buarque e Luiz F. Veríssimo, um profundo conhecedor da alma das mulheres. Sempre fui muito bem tratado por quase todas, a começar por mãe, irmãs e avós e depois pelas que ia conhecendo.

O principal é nunca tratar uma mulher como se fosse um homem. Mulher é ser de outra categoria, muito diferente e que carrega, como todas as fêmeas, uma memória ancestral diferente.
Mas isso são lérias.

Prometo, então, hoje, contar mais uma história. Para amanhã não prometo nada. Cada dia é um dia.

Essa aconteceu em Horizontina, minha primeira Comarca.

Eram 15 horas. Sol forte, cigarra zumbindo. A jovem senhora, abandonada pelo marido ingressara com ação de alimentos. O esposo estava morando no Paraná e viera para a audiência. Já antevia eu a rebeldia do rapaz para pagar pensão, mas, surpresa !!

- doutor, estou de acordo. Não quero briga. O senhor me diz quanto devo pagar e pronto.
Olhei para o advogado da moça e ele:

- um salário por mês está bem.
O jovem marido retrucou:
- mas é pouco, doutor. Vou pagar dois. Onde assino?

Olhei para a moça, que teria seus 23 anos, até bonita, um nariz denotando sua origem italiana, postura ereta, pescoço bem talhado, mas onde saltava e saltava uma veia. A jugular da moça parecia uma corda de violoncelo vibrando. Ela olhava súplice para o ainda marido e voltou-se para mim, com os olhos quase vesgos, a revelar desejos incontidos:

- Doutor, quero que o senhor mande ele lá em casa agora tomar um café comigo..
( pensei num átimo: bingo, síndrome da abstinência)
Olhei para o rapaz e ele:
- mas seu juiz eu tenho que viajar, tô com pressa.

Pensei: não larguei tudo para ser juiz aqui nessas bibocas para ser pouco imaginativo e meramente burocrático.

Olhei o moço e sentenciei:
- o seguinte, seu Arnaldo. Vai demorar um pouco a gente datilografar a ata da audiência, então o senhor vai com ela lá tomar o café e volte dentro de uma hora.

A jugular da guria agora saltava acompanhada do seu busto. Ela respirava de maneira ofegante.
Se levantaram os dois, ela enganchou-se nele e se foram a pezito no más tomar o café.
Já eram 16,30 e nada de voltarem. Eu, louco para sair e jogar um futebol de salão as 18 horas.

Pedi ao dr. Sulzbach, advogado da guria, passar lá e ver o que tinha acontecido.
Voltou e disse que a casa estrava fechada.
Dia seguinte o escrivão, sr. Antônio Reck me comunicou:
- eles estiveram aqui cedo para ” retirar” o processo…..
Um a menos na pilha…

COMENTÁRIOS:
1) O DA NIVIA ANDRES, JÁ PUBLICADO.
2) O DO TUSI-
Amigo Ruy! Ontem, por volta das 21 horas, recebo uma ligação da minha mãe comentando que havia gostado da história da “castelhana”. Ela é leitora assídua do teu blog. Não fica um dia sem acessar.

A mãe também acha o máximo as Cartas que tu recebe da Ruth Lant.

Realmente teus textos contando histórias vividas fazem sucesso. Todo mundo quer mais!

Abraço,

Felipe Tusi

3) DO JORGE LOEFFLER
Boa tarde Ruy.

Essa do casalzinho é sensacional. Isto mostra quão bela é a vida. Explico a tua leitora que não posto comentários, pois tentei uma vez e me enrolei com o f.d.p. do computador. Nem sempre me dou bem com ele. Este é um casamento do qual não posso sair, pois sem ele não terei o que fazer, já que nossas televisões são uma desgraça, isto para não usar uma palavra obscena. Obscena, puxa, esta eu não escrevia já fazia muito tempo. Tuas histórias são sensacionais e por isto tomo a liberdade de sugerir que as compiles e entres no rol dos nossos escritores publicando-as a fim de que possamos tê-las juntas a todo o momento que quisermos nos deliciar com as mesmas.

Grande abraço.

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LA RECOLETA - GARDEL - RELEMBRANÇAS

Hoje, mais um ano da morte de Carlitos Gardel.

Gardel me lembra tango, que me lembra Buenos Aires, que me lembra uma aventura.

Foi há uns 20 anos ou um pouco mais. A Associação do M.P. precisava de um zagueirão para completar seu time de futebol que ia jogar em Buenos Aires. Tiveram que me buscar.

Estádio ” El Caballito” do Ferro Carril. Tomamos um chocolate dos castelhanos.

A Argentina vivia uma de suas sazonais crises financeiras. Para nós era tudo barato por lá.

Ao cair da noite enverguei um bem cortado terno azul de lã fria, uma camisa de algodão egípcio, sapato social preto, gravata de seda e me fui com mais dois amigos para La Recoleta. Jantamos muito bem num belo restaurante.

Eu era, na época, livre e desimpedido.

Após a janta tomamos um taxi e nos fomos para a Calle Florida, na boate Volver.
Subia-se por uma escada estreita, rolos e rolos de fumaça desciam. Chegamos ao ambiente, bastante escuro e enfumaçado dos cigarros.

Cena indescritível. O salão, com mesas e cadeiras, estava repartido, rigorosamente, em duas partes: num lado só mulheres, no outro só homens! Pode uma coisa dessas?
Uma orquestra tocava um tango: La Soledad, lindo.

Casais coreografavam por sobre a pista.

Perguntei a um senhor parado ao meu lado, como é que se fazia para tirar alguém e dançar,
O homem me olhou e explicou:

- hay que fijar la mujer en los ojos, hasta que ella le mire. Entonces usted hace un cabeceo. Si ella le corresponde, puede sacarla para bailar.

Fiquei rastreando o salão até que vi una rubia muy simpatica sentada e lhe assestei meu olhar número 3. Ela deu uma tragada no seu cigarro, tragou, apertou os olhos e respondeu à minha mesura com a cabeça. Fui até a mesa, abrindo espaço por entre a fumaça e parei na frente dela.
A mulher, vestida toda de preto, com um longo bem justo, ofereceu-me a mão e saímos rodopiando pelo salão. A mulher era uma atleta olímpica, pois tomou o comando da dança, me apertou com os dois braços e saiu meio que corcoveando, meio que dando congas tipo profissional de balllet e o único medo que eu tinha era me esborrachar no chão.

- como te llamás rubiesito? me disse ela.
- Ruy, respondi.
Ela passou a me chamar de Ruyz e me pediu que relaxasse e a seguisse , que ela tinha tomado aulas de tango.
E assim fomos, até que tocou uma milonga e aí pude sofrená-la um pouco.

Mas fomos conversando e ela me disse que morava em San Antonio de Padua, uma cidade pertiférica, lejos uns 30 kms de Bs. Aires, que jogava tênis e que amanhã poderíamos jogar.
Perguntei-lhe se não tinha pouso na casa dela, poderíamos tomar mais un vaso de vino, mas ela me redarguiu que era muy temprano para isso e que primeiro iríamos jogar tênis e depois ver o que fazer.

Deu-me o número de seu teléfono e me disse para ligar no outro dia a las onze de la mañana.
Despedimo-nos com un beso casto, mas de mil promessas futuras.

Voltei ao hotel quase sufocado de tanta fumaça. Paguei o taxista com um monte de pesos que estavam em vários bolsos e fui tomar uma saideira com os amigos. Fui remexendo nos bolsos e pagando com aquelas notas amassadas com vários zeros, era época em que havia inflação lá.

Caí desmaiado na cama e, no dia seguinte, após o banho decidí, conforme combinado, ligar para Mabel. Sim Mabel era o nome da coreógrafa, tenista.

Rebusquei os bolsos do paletó e das calças e nada de achar aquela metade de guardanapo onde anotara o número do telefone da moça.
De certo o papelzinho caíra na hora de eu pagar o táxi recolhendo aquele montão de pesos argentinos dos bolsos.
Fiquei sem o jogo de tênis em San Antonmio de Pádua, nem os eventuais desdobramentos.
Foi pena.

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CURTAS & GROSSAS

ATIVISMO JUDICIAL

Luiz Flávio Gomes preleciona a respeito hoje, no Migalhas. Vale a pena ler. É bom para a cidadania.

“No caso da imposição da fidelidade partidária não havia nenhuma regra explícita a respeito do tema. Que fizeram os Ministros do STF? Com base no princípio democrático (um dos eixos do moderno constitucionalismo) criaram uma regra: quem mudar de partido depois da eleição perde o mandato. Isso não estava explícito em nenhum lugar, logo, houve ativismo judicial. De que espécie: inovador ou revelador? Diante dos conceitos acima emitidos, o revelador (do sentido do princípio democrático).

E no caso da demarcação indígena (Raposa Serra do Sol), qual foi o ativismo judicial (naquelas 19 medidas)? Diríamos: bastante revelador mas já se incursionando no inovador. Qual é o problema de todo ativismo judicial? Está no risco de o Poder Judiciário perder sua legitimidade democrática, que é indireta. Em que sentido? As decisões dos juízes são democráticas na medida em que seguem (nas decisões judiciais) aquilo que foi aprovado pelo legislador. Sempre que o Poder Judiciário inova o ordenamento jurídico, criando regras antes desconhecidas, invade a tarefa do legislador, ou seja, se intromete indevidamente na função legislativa. Isso gera um outro risco: o da aristocratização do Estado e do Direito (que, certamente, ninguém no século XXI está muito disposto a aceitar).

Quais seriam as razões do ativismo judicial no Brasil? Luiz Roberto Barroso invoca duas (O Globo de 22/3/09, p. 4):

(a) nova composição do STF (por Ministros bastante preocupados com a concretização dos valores e princípios constitucionais) e

(b) crise de funcionalidade do Poder Legislativo (que estimula tanto a emissão de Medidas Provisórias pelo Executivo como o ativismo judicial do Judiciário).

Todo poder quando não exercido (ou quando não bem exercido) deixa vácuo e sempre existe alguém pronto para preencher esse espaço vazio por ele deixado.

TRIO TERNURA RIDES AGAIN

Hmmm,, nossos três impolutos Senadores, que observavam, olimpicamente, à distância, a crise do Senatus Brasiliensis, acordaram, ao certo, com azia, ao serem convocados para dar explicações aos jornalistas Ana Amélia, André Machado e Rosane Oliveira.

Nenhum sabia de nada.
Então tá.

EM COMPENSAÇÃO

Matutava eu hoje: onde estará o bravo povo brasileiro forte e varonil, ratimbum! Cadêle os caras pintadas? Onde está a Libelu, de que fui simpatizante secreto?

As leis matemáticas que determinada Câmara de Vereadores quer, a todo pano, revogar ( assim como a lei da gravidade), determinam que é impossível que TODOS NÓS nos lucupletemos desse bacanal, dessa orgia de dinheiro fácil da corrupção. Não tem pra todos.

Ora, se não tem para todos, então como é que está todo mundo só falando em futebol e no Caminho das Indias?
Meu amigo Gilberto Simões Pires ( Pontocrítico.com) propõe hoje que nos dirijamos todos aos aeroportos às 5as. e 6as. feiras para atirar ovos nos corruptos.

hehehehe, nada feito. Um dos passatempos da basbaque massa urbana das grandes cidades é passear perto do aeroporto para ver avião levantrar voo….. capaz que vão protestar.

Não adianta, não há mesmo país como o nosso. Braziu,iu,iu!!!!

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YEDA E ARMÍNIO EM LUA DE MEL !

Calma, senhoras e senhores, não é nada disso que vocês estão pensando.

Sancionados pela Governadora três projetos
do Judiciário em solenidade no Palácio da Justiça

Em um ato histórico, o Judiciário recebeu a presença da Governadora Yeda Crusius para sancionar três Projetos de Lei aprovados pela Assembleia Legislativa. Compareceram Secretários de Estado, integrantes da Administração, magistrados de Comarcas de Interior e Prefeitos de municípios beneficiados pelas mudanças aprovadas. O Presidente do Tribunal de Justiça destacou que as presenças ilustres demonstram a dimensão do evento em relação ao Judiciário e ao Estado do RS. “Essa foi Segunda vez que a Governadora esteve no Palácio da Justiça para assinar mudanças substanciais na estrutura do Judiciário”, assinalou o Desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa.

Agradeceu ao Poder Legislativo pelo atendimento aos pleitos do Judiciário, bem como ao Executivo, pela receptividade. “Não ouvimos de Vossa Excelência até agora, Governadora, nenhum não, até porque se tem tido responsabilidade de enviar projetos viáveis.”

“Se em tudo que me foi colocado houve solução favorável, é porque as proposições têm sido justas e responsáveis”, disse a Governadora, destacando o respeito à Justiça. “Este ato expressa o mandamento constitucional que determina independência e harmonia entre os Poderes. Um sem o outro falha. A harmonia é um mandamento que implica vontade. Vontade de exercer a independência em harmonia”.

Projetos

Em maio, foi aprovada na Assembleia a elevação de Santa Maria, Caxias do Sul, Pelotas e Passo Fundo de entrância intermediária para entrância final, colocando-as na mesma situação de Porto Alegre, o que permitirá promoção dos Juízes dessas Comarcas diretamente ao TJ, sem necessidade de atuarem em Porto Alegre. O Presidente do TJ salientou a importância da mudança de estrutura, que permitirá que cidades da maior expressão possam ver seus magistrados permanecerem em suas Comarcas. E afirmou ser também um ato de Justiça para com os Juízes, pois evitará que muitos deles, já radicados, terminem por abdicar da progressão na carreira.

Na semana passada, a Assembleia aprovou a elevação de comarcas de entrância inicial para a intermediária e a recomposição dos vencimentos dos servidores do Judiciário Estadual. Com relação à elevação de entrância as Comarcas de Capão da Canoa, Farroupilha, Lagoa Vermelha, Santiago, Sapiranga, Taquara, Torres e Tramandaí para a intermediária, o Desembargador Arminio observou que, “não obstante sua expressividade, dotadas de mais de cinco varas, tinham dimensão incompatível com a entrância inicial”.

Quanto à recomposição das perdas nos vencimentos, o Presidente asseverou serem compatíveis com o orçamento do Poder Judiciário e dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Saiba que Vossa Excelência, Governadora, atende um dos mais legítimos pleitos do funcionalismo do Judiciário. Isso será reconhecido na sua pessoa”. A última recomposição das perdas inflacionárias dos servidores do Judiciário ocorreu em 2005. A reposição será concedida em três parcelas: 6% a contar de 1º de março de 2009, outros 6% a partir de 1º de outubro de 2009, e 3% a partir de janeiro de 2010.

Fonte = TJ RS

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