Arquivo de Maio de 2009

OS SINOS DE MINHA TERRA NATAL

Como gosto defazer aos domingos, quando retorno a P. Alegre para trabalhar toda a semana, passei em Santa Cruz para visitar minha mãe, forte como um cerne de carvalho das montanhas germânicas nos seus 88 anos.

Sentados na cozinha de sua casa situada num latifúndio urbano a metros da Catedral, comida sendo feita no fogão a lenha, começaram as relembranças, sempre a gente falando em alemão.

Quando foi meio dia, tocou um dos quatro sinos de nossa Catedral Gótica.

- Mutter - perguntei - aqui em Santa Cruz os sinos ainda tocam de um jeito quando é um homem que morre, doutro, quando é mulher e doutro ainda quando é criança?

( Transportei-me para os anos 50 e 60. A gente sabia, quando tocavam os sinos, se era homem, mulher, ou criança que tinha morrido).

Não, disse-me ela. Desde que os homens que sabiam tocar os sinos foram morrendo, esse costume desapareceu. O último que sabia tocar os sinos era o sr. Konzen, que já faleceu.

- Mutter, e os sinos eram mesmo afinados em do, mi, sol e si?

- Isso é teu Vater que sabia…
Me lembro quando havia missas solenes. Os quatro sinos tocavam ao mesmo tempo, num concerto divino que se ouvia nas colônias em volta.

Da casa de minha mãe fito a Catedral com suas enormes torres.

Lá estão os sinos, fundidos e afinados na Alemanha.
Estarão mesmo afinados em intervalos de terça? Acho que não. Eram tristes demais as badaladas quando morria uma criança. Do, mi e sol naturais não são tristes.

Pena que o sr. Konzen faleceu. Com ele morreu um pouco mais a Santa Cruz de minha infância.

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AINDA O TÊNIS

Celso Carlucci de Campos, baita violeiro, cantor, integrante do consagrado Grupo ” OS POSTEIROS’, manda-me, a propósito do Honor Code de Tênis, a gozação abaixo.

Um abraço ao Celso, meu parceiro de música, que muito me ensinou em matéria de harmonia ( em todos os sentidos).

CONCEITOS TENÍSTICOS PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA

(AUTOCRÍTICA?)

1 - Distância enorme: medida que separa o que alguns tenistas pensam que jogam daquilo que realmente jogam.

2 - Parceiro de dupla: elemento que faz com que alguns tenistas sempre percam o jogo.

3 - Muito fraco: avaliação feita por alguns tenistas a respeito do parceiro de dupla, em decorrência dos itens anteriores.

4 - Condições atmosféricas (vento, sol, etc.): circunstâncias que perturbaram o jogo somente do tenista que perdeu.

5 - O homem: concepção feminina machista daquele que deve garantir o resultado em um jogo de duplas mistas.

6 - A mulher: concepção machista do sempre culpado pela derrota em um jogo de duplas mistas.

7 - Onde menos atrapalhe: em decorrência do item anterior, concepção machista do lugar onde a mulher deve colocar-se na quadra em um jogo de duplas mistas.

8 - Bola fora: aquela que vimos claramente que saiu, quando estávamos em desvantagem, e que o adversário e a assistência toda insistem, erradamente, em dizer que foi boa.

9 - Olhar de lince: visão perfeita daquele que sempre sabe se a bola foi boa ou fora, mesmo quando os demais assistentes têm opinião diversa.

10 - Bem deixada: aquela bola que vemos sair após termos feito um esforço inaudito para alcançá-la, sem conseguir.

11 - Bem jogada: expressão utilizada em substituição aos palavrões que pensamos ao receber aquela cacetada indefensável.

12 - Desculpe (ou “sorry”): expressão utilizada para registrar o momento em que, finalmente, conseguimos acertar o adversário com aquela bolada.

13 - Sacanagem: acertar a orelha do parceiro de duplas com o primeiro saque (o mais forte, claro).

14 - Alta sacanagem: após cometer o item anterior, no mesmo game, com vantagem contra e “match-point”, fazer dupla falta.

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TEMPO BOM NA CAMPANHA. MELHOROU MAIS AINDA ( veja no final)

Chove. Chove bem “deusde” ontem a noite.

Chuva tão esperada. Há dois dias essa ronha, céu nublado, um frio de maus presságios que, segundo os antigos, espantaria a chuva ou, como dizem os comunicadores burraldos, o ” mau tempo” (como vocês sabem, esses idiotas gostam de dizer que o tempo ” melhora” quando para de chover).

Mas, como dizia, por volta de 22 horas iniciou-se uma garoa. Eu já estava deitado e torcia para que o teto de zinco soasse com aquela sinfonia de pingos mais grossos. Não deu outra, a garoa transformou-se na chuva redentora que dura até agora.

Ouço os campos entoando hosanas, regidos pels pássaros, répteis, batráquios,quelônios, sem embargo dos muchochos do Antropos Burraldus, que quer saber mesmo é de pegar um solzinho, uma Redençãozinha, com seu matinho, um churrasquinho, um pagodinho, um futebolzinho.

Arre égua! com a infestação do gerundio veio a Aids do diminutivo e dos lugares comuns do ” beijinho no coração” e ” com certeza” antes e depois de cada flato.

Mas então é isso, agora a aveia e o azevém vão crescer e o trigo vai germinar.

Até os cola-finas vão, “bem no fim”, ficar contentes ao saberem que , por causa desse tempo bom, terão carne e pão na mesa.

Até aqui eu tinha postado no meu lépitópi com vivo zap, eram cinco da manhã e havia chovido 30 mm.

MAS AGORA, SIM , O TEMPO MELHOROU.

Lá pelas oito da manhã a chuva virou garoa e saí de a cavalo com meu fiel escudeiro Luiz César, que me acompanha há dez anos. Quando o contratei diziam para ele que não duraria 6 meses comigo, tão autoritário que eu era.

Só que eu pago em dia, propicio cursos, fiz ele matricular o filho na Veterinária, ensinei escrituração contábil. Em contrapartida, ele é meu Bom Pastor. Nunca me faltou um ovelha, uma vaca, nem nada. Cuida das nossas coisas como se fossem dele. Por sinal, perguntem a ele se é a favor das tais bolsas-preguiça…

Estava curioso para ver como estavam os açudes secos e as lavouras de azevém.

Não é que de repente o tempor MELHOROU? Pois bateu-lhe um aguaceiro de fazer enchente, mas sem raio e sem trovão. Pelo campo corria a água límpida e faceira, dando gargalhadas, em direção às sangas e aos mananciais.

Pois meus amigos, me deu um surto, apeei do Poeta e me atirei na sanga que ressuscitava e fiquei espadanando que nem ganso novo e gritando. Logo num lagoão me sentei dentro da água e fui me dar conta que o celular estava no bolso da camisa.

Ainda funcionava. Liguei para as casas e mandei virem me buscar de caminhonete. Me atirei na caçamba enrolado num ” Fiatel ” que ganhei do Nico Fagundes.
Ao chegar, a peonada ficou só me olhando, sestrosa…..

- Queque foi!? gritei para eles- nunca tomaram banho de sanga?
Se foram quietotes pra dentro do galpão.

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TÊNIS: THE HONOR CODE OF ETHICS

Traduzi livremente algumas regras de ouro do Código de Honra do Tênis.
Refletem tanta elegância e ética, que lamento o Brasil não incentivar mais esse nobre esporte entre crianças e jovens, inclusive das periferias.

REGRAS DE OURO.
Lembre-se que seu oponente de hoje é seu companheiro de amanhã.

1. CORTESIA
a) o jogo de tênis depende da cortesia e da equidade;
b) Os clubes devem recepcionar equipes de fora propiciando acomodações e condições agradáveis.

2. AMIGOS, TREINADORES, CRIANÇAS E PAIS.

a) não é permitida sua entrada na quadra, durante o jogo;
b) Os espectadores ou treinadores não podem interferir nas chamadas de ” fora” ou ” boa”, nem no escore.

3. CONDUTA DOS JOGADORES

a) O mais alto espírito desportivo é esperado de cada jogador;
b) se não há um árbitro, você deve cantar a bola como se fosse o árbitro, mas, na dúvida, você deve resolver em favor de seu oponente;
c) você só vai opinar sobre a bola do outro lado da rede, se seu oponente lhe pedir;
d) não se pede a opinião dos espectadores;
e) o sacador tem que cantar o escore antes de cada serviço;
f) ” out” ou ” let” devem ser cantados imediatamente. O atraso implica ser a bola ” boa”.
g) em duplas, se um parceiro canta ” out” e seu companheiro canta ” boa”, resolve-se como boa a bola;
h) quando o primeiro serviço obviamente foi out, é indelicado devolver assim mesmo o saque;
i) nunca sirva antes de o oponente estar pronto;mas se , mesmo assim, ele responder, não pode alegar que não estava preparado.
j) você deve voluntaria e honestamente decidir contra si mesmo se cometeu alguma irregularidade como dois toques, tocar na rede ou a bola ter tocado em sua roupa ou no seu corpo.
k) em duplas não pode haver conversa durante o ponto, salvo breves instruções como ” é minha”, “é sua” ou ” out”.

A U.S.T.A proíbe:

a) linguagem ou conduta abusiva durante o jogo;
b) uso contínuo de toalhas ou água durante o jogo;
c) fazer do jogo uma comédia;
d) foot-fault: seu emprego implica vantagem indevida sobre o adversário.

( nota do editor: nada parecido com o futebol….)

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BRENNER DE MORAIS: O MUNDO DA POLÍTICA É DIFERENTE.

Conheço Carlos Otaviano Brenner de Morais há muitos anos. Homem culto e fino, colega exemplar, sempre integrou o Ministério Público: é o protótipo do Promotor.

Quando, há umas duas semanas, fui chamado pelo meu conterrâneo Wenzel, Chefe da Casa Civil, ao Piratini, junto com ele estava Brenner de Morais, sereno, mas preocupado.

Leio agora no blog do amigo Felipe Vieira, da Band, que Brenner está triste, o que também teria sido flagrado por Zilá Breitenbach.

Câmeras em mim.

O juiz e o promotor vivem num mundo diferente, com regras , cerimônias e liturgias, algumas escritas, outras consuetudinárias ( costumeiras). Existe uma ética permeando o processo e a vida nos Tribunais. É ” feio” litigar temerariamente; é reprovável criticar um colega; é normal dissentir, mas sempre respeitosamente; o carreirismo ” queima”; ” alpinismo” ( subir sobre as costas dos outros), nem falar. Corrupção, então, execra completamente.

Daí que o juiz e o promotor, quando se aposentam, via de regra não se acostumam à política, muito menos à politicagem. Já ví vários juizes, desembargadores e promotores, tentarem a carreira política e se surpreenderem com os maus resultados.

É outro mundo, com outras regras, outros procedimentos, muita dobradiça na espinha dorsal, muita fraude, muito calote, muita palavra empenhada e depois negada. Adversários políticos ora atacam-se ferozmente e, ao depois, sem qualquer pudor, abraçam-se com frenesi beirando as raias da libidinosidade.

Os Foros e Tribunais são templos.

O mundo da política, conquanto necessário e imprescindíveis seus atores, é outro, com outras regras, costumes e normas.

Teu adversário não hesita em te carregar para a lama, ringue no qual ele é perito. E não adianta trazeres, em teu prol, teu passado ilibado.

Não me surpreende a aflição de Brenner de Morais.

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O CASO DA TESTEMUNHA DO CRIME CONTRA A DENTISTA

Já que é o assunto muito comentado e que chocou a todos nós, permito-me algumas reflexões.

A primeira, é que, de dentro dos gabinetes, na frente do computador, é muito fácil traçar diretrizes e apontar comportamentos ideais. Diferente é a vida na sua concretude impiedosa.

Pergunte a qualquer brigadiano como é seu dia a dia. Cheio de perigos e, a toda a hora, o justo receio de avançar um centímetro a mais e sair da zona do estrito cumprimento do dever legal para o abuso de poder, com a consequente perda do cargo.

A segunda é que o enfrentamento corporal concreto não é como se vê nos filmes. Um soco no rosto dói muito e pode quebrar todos os dentes; uma facada na barriga causa uma destruição tão grave que você pode morrer de várias causas; um balaço de revólver no peito geralmente causa a morte ou se não, sequelas permanentes.

Aquele senhor que passou pelo local fez o que podia. Ajudou a Polícia com o retrato falado. Tentou contornar o problema com a vítima. Não estava armado, não tinha treinamento para ir mais além.

É um bom homem, teve compaixão e, como todos nós, não quis - e não era obrigado a isso - arriscar a própria vida.

Noventa por cento de quem tivesse passado ali nem daria bola.

Que se abra um inquérito para se saber porque as autoridades custaram tanto tempo para atender a ocorrência.
E se dê uma medalha para a testemunha.

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CULTURA: EVENTO IMPORTANTE PARA TODOS OS MUNICÍPIOS

Secretaria da Cultura promove 1º Fórum Estadual do Patrimônio Cultural

Nos dias 1 e 2 de junho acontece o 1º Fórum Estadual do Patrimônio Cultural. O evento é promovido pela Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC), através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), em parceria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e com o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado (CREA-RS).

O objetivo do encontro é discutir o papel da cultura no desenvolvimento social e urbano, as políticas de preservação do patrimônio histórico e cultural e o patrimônio imaterial da cultura.

Com foco neste trabalho de preservação do patrimônio cultural e histórico do Rio Grande do Sul, o Fórum promove palestras com diretores e coordenadores de institutos estaduais, bem como, professores da PUCRS.

Entre os palestrantes estão a diretora do IPHAE, Maria Beatriz Kother, a coordenadora do Sistema Estadual de Museus, Simone Monteiro, e a coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas, Morgana Marcon.

O evento será no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), localizada no prédio nove da PUCRS. As inscrições podem ser feitas no setor de Atendimento da Pró- Reitoria de Extensão (PROEX), no prédio 40 da universidade e custam R$80 para o público em geral e R$ 40 para estudantes.

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O CLIENTELISMO E O COITADISMO NOS ENTORTARAM

Foi nossa família começar a melhorar, a duras penas, a produção pecuária, e já começaram a piscar as luzes vermelhas.

Explico-me. Recomeçamos do nada, mas como dizia Chacrinha, ” labor omnia vincit”. Qualidade, pós venda, acordar cedo, pagar contas em dia, não ostentar e por aí vai.

Pois pipocam os pedidos de ” nos dá uma novilha para nosso clube de truco”, ” nos cede uma ovelha para o time de futebol”. Ué, sais! Quem é que pode ficar dando coisas, se a margem é mínima? Pensei até mandar os pedintes ao dr. Jorge Gerdau: ” seu Gerdau, nos cede um vergalhão para o clube dos pais abandonados?”

E aí vem o coitadismo das quotas raciais.

Ora, meus amigos, os desvalidos e os hiposuficientes é que tem de ser amparados, não a cor da pele. E que cada um, bafejado pelo impulso inIcial, que se vire, que acorde cedo, que estude.

Já me disseram que, mesmo no RS, na época eleitoral, vêm os pedidos, os achaques, as mordidas.

E os Hospitais de Caridade?
Tem que ser tudo de graça? Hein, Hein?

Canso de ver familiares de consulentes pelo SUS esperando nos bares da proximidade dos Hospitais, bebericando sua loirinha gelada. Para isso existe dinheiro!

Se eu mandasse alguma coisa, mandaria cobrar, de todo mundo, 5 reais pela consulta inútil, desses e dessas que,a falta do que mais fazer, vão nas emergências, quando seu caso é apenas um porre mal curado.
- mas não tenho, doutor!
- pois então fica devendo ou vai alí na lavanderia e vai lavar um pouco dos lençóis usados pelos doentes, ou vai varrer o pátio.

Eu sei, eu sei. Muitos vão me chamar de radical.

Mas sei que tenho muito boas companhias.

A vida é dura para quem é mole.

O assistencialismo, o clientelismo e o coitadismo entortaram o Brasil.

Já notaram como não há ninguém magro e esquálido entre os beneficiários? Tudo obeso, tudo acima do peso. Prestem atenção na TV.

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NEM TUDO ESTÁ PERDIDO.

Olhem só o que escreveu um jovem. Chama-se Alessandro Reiffer.
Renascem as esperanças contra o galopante emburrecimento nacional.

Eis o texto:

Não Sou Brasileiro

Sim, não posso ser. Afinal, tudo que dizem que o brasileiro é, eu não sou. Dizem que o brasileiro é isso, é aquilo, que possui determinadas características, mas elas não condizem comigo. Então não posso ser brasileiro. Afinal, se já se criou um estereótipo do que é ser brasileiro, se é através desse estereótipo que as pessoas em geral, principalmente as de outros países, veem os brasileiros, e se eu não estou de acordo com tal estereótipo, então, não sou ou não devo ser brasileiro.

Vejamos:
1) Brasileiro é alegre e de alto astral. Eu não sou alegre e nem tenho alto astral.
2) Brasileiro é extrovertido. Eu não sou extrovertido.
3) Brasileiro adora verão e calor. Eu detesto verão e calor e amo o inverno e o frio.
4) Brasileiro adora praia. Eu até posso achar bonita uma praia se não houver pessoas lá. Detesto aquele monte de gente amontoada na areia, surfistas, cerveja, pessoas bronzeadas etc. Acho tudo isso um saco.
5) Brasileiro prefere bumbuns. Um bumbum pode ser bonito, mas eu prefiro os olhos.
6) Brasileiro adora cerveja. Eu não gosto de cerveja, prefiro um bom vinho.
7) Brasileiro gosta de andar com pouca roupa. Para mim, nada melhor que vestir um longo e pesado sobretudo.
8) Brasileiro gosta de samba, pagode, axé, forró, sertanejo. Eu detesto todos esses tipos de música, e nada têm a ver comigo nem com a região onde vivo.
9) Brasileiro ama carnaval. Eu detesto carnaval.
10) Brasileiro não perde uma festa. Uma festa às vezes é legal, mas na maioria das vezes acho melhor ficar em casa, ou fazer outra coisa, a ir numa festa.
11) Brasileiro tem o seu famoso jeitinho. Para mim, o jeitinho brasileiro é um eufemismo de canalhice.
12) Brasileiro gosta de coisas coloridas. Eu prefiro cores sóbrias e discretas.

Enfim, talvez existam outros pontos em que eu nada tenha a ver com o que se classifica como “brasileiro”. Mas há algo que tenho em comum. Brasileiro adora futebol. Bem, eu também gosto de futebol. Será que só por isso sou brasileiro?

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DOMINGUEIRAS

* MEIA SOLA ORTOGRÁFICA

Essa baboseira é um dos maiores contos do vigário que conhecí. Gente se preocupando se é bem-vindo, se é benvindo, se é auto-crata, se é autocrata, mas falando a toda hora ” para mim fazer”, ” em virtude do Fulano ter feito…” , ” houveram muitas coisas”.

Pois agora vem a buemba do macaquito Simão: Portugal se lixou para a tal reforma…..
Bem feito, ou bem-feito, ou benfeito para os deslumbrés.

* MELINDRES E FRU-FRUS ( OU FRUFRUS)

Provincianismo é bucha.
Pois numa cidade do interior parte da imprensa escrita e falada melindrou-se porque não recebeu convite para um evento privado.
Ora, ora, ora, só falta quererem ofício, em plena época de “imeil”, só falta quererem que, quando o Lula vier visitar a cidade, que mande um ofício.

Um evento é notícia ou não é. Se é notícia, não precisa de convite. Se não é, também não.

É por essas e por outras que o sistema de concessões para radiodifusão tem de ser revisto.
É bom os senhores feudais de algumas rádios e/ou TVs darem uma olhada no que diz a Constituição sobre isso.

*PODER JUDICIÁRIO : MOROSIDADE E INOVAÇÃO

Esse é o título da dissertação de mestrado do dr. Juliano da Costa Stumpf, que lí, com muito prazer neste fim de semana. Juliano é filho do meu amigo César Stumpf, o rei da República do Bororé.

A obra é densa e erudita.
Pincei um trecho magistral:

” O bom juiz não se limita mais ao profissional de grande saber jurídico e bom senso para a solução dos litígios. O bom juiz, identificado como o juiz moderno que cumpre com as expectativas da sociedade atual, deve somar a estas qualidades a capacidade gerencial, a liderança e a preocupação com o constante aperfeiçoamento das rotinas e dos processos de trabalho na busca da excelência das atividades-meio e, consequentemente, da atividade-fim do Judiciário, cuja ineficiência é o seu mais sério problema”

Adoro contar um lance ocorrido comigo: há pouco tempo comparecí, como advogado, a uma audiência, para inquirição, por precatória, de uma testemunha. Ela foi ouvida em cinco minutos e seu depoimento foi gravado.
A degravação levou três meses…..
Enquanto isso o processo ficou paradito, paradito…

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