Arquivo de Abril de 2009
Vocês sabem que minha família tem Estância em Unistalda, tenho casa em Santiago, mas praticamente moro em P. Alegre, onde tenho escritório de advocacia.
É época de Feiras de Terneiros. Por que as pessoas vendem terneiros? Porque, dependendo da propriedade, ela não tem vocação, não tem como entrar no inverno, desmamando os terneiros, por falta de pastagens ( ou porque o proprietário não consorcia soja com pastagem e gado, ou porque não tem tamanho suficiente, ou porque seu campo é pedregoso e aquele que tem pastagens terá muita mais competência para “terminar” aquele terneiro, dando-lhe bóia).
É a época de muitos fazerem sua safra. Em Santiago foram 2.100 cabeças. Isso representa muito dinheiro. Presenças queridas e notadas: prefeitos e vices da região, presidentes de entidades ( sindicatos rurais, centro empresarial, presidente da Camara de Vereadores de Santiago, vereadores, vice- presidente da RBS, Afonso Antunes da Mota, pessoal do Novo Canal).
Ausências sentidas: a maior parte da imprensa escrita e a totalidade das rádios da região..
Como se explica isso? Acho que não há que procurar culpados. Todos temos que sentar e ver o que ocorreu. Como é que num evento desse porte não está nenhuma rádio transmitindo? Falta de convite? falta de acerto? falta do que? Não vamos nos acusar, mas temos que nos acertar!
A Feira de Santiago mostrou a bravura dos produtores locais. Que gente guapa e corajosa, principalmente da simpática Unistalda e os parceiros de Santiago!! De registro a presença de uma jovem fazendeira de Jóia, sra. Mascarenhas, que trouxe belíssimos animais.
A seca está medonha, mas a qualidade do gado de Unistalda e Santiago é imbatível no Brasil.
Me perdoem a modéstia, mas a Pecuária Gessinger foi a maior vendedora, com 207 animais, e mereceu os seguintes prêmios:
- maior vendedor
- lote mais pesado de femeas
- melhor lote de machos cruzamento industrial.
E o mais interessante: só um comprador nos arrematou, de uma só vez, 81 animais.
Dedico esse sucesso a minha família, que compreende meus funcionários e famílias, meus vizinhos e todos os meus amigos os quais venero e amo, porque me conduziram até aqui.
Parabéns ao Sindicato Rural de Santiago , na pessoa do incansável e simpático Sandro Cardinal e ao Guarany Remates.
No próximo grande remate, temos que convidar o povo, as crianças, mesmo que não venham comprar. O povo tem que estar ao nosso lado. O povo e a imprensa.
23 de Abril de 2009 às 19:59
Ruy Gessinger
Nunca pensei em um dia assistir a isso. Nunca!
Desde criança, em Santa Cruz, venerava os juízes, como toda a população. Nos idos de 1960 nós, adolescentes, quando nadávamos na piscina do Tênis Club Santa Cruz, tínhamos tanto respeito pela figura do juiz que, quando o dr. Alfredo Zimmer entrava, nós nos afastávamos para não o atrapalhar.
E os advogados respeitáveis que conhecí! quantos: todos austeros e cerimoniosos. Maior exemplo o grupo seleto, de fino trato, alto conhecimento jurídico, que conhecí em Santiago, nos anos 70. Jamais, jamais, senhoras e senhores, presenciei um só ato deselegante desses advogados e dos próprios servidores.
Minha passagem pela magistratura, culminando com vários anos exercendo o cargo de Desembargador: jamais uma discussão, jamais! Tudo em altíssimo nível.
Pois agora, vejo tudo desabar ao meu redor: meus templos e minhas liturgias com os quais passei toda a minha vida, tudo se esboroa. A Justiça e o Direito são minha vida: não sei pensar outra coisa, mas agora, em 2009, não posso ocultar minha vergonha.
Não por mim que sempre pensei ter Deus me dado muito mais que merecia, mas pelo povo que vê seus juízes máximos procederem como se estivessem num recanto de favela, com todo o respeito aos favelados.
Ontem ocorreu uma discussão rasteira entre os Ministros Mendes e Barbosa em plena sessão do STF.
Para verem as cenas lamentáveis e ouvirem as discussões que envergonham a todos os lidadores do Direito, acessem
www.videversus.com.br
O fiasco roda o mundo pelo You Tube. É o fim.
às 07:43
Ruy Gessinger
Dou a palavra ao renomado Blau Souza. ( Publicado em O Sul Rural)
Pediram-me um texto para reunião em que seriam homenageados os trabalhadores rurais,os assalariados do campo.Para início de conversa, à moda de Cyro Martins, lhes prometi mais ou menos dois palmos de escrita. Boa parte disso, aqui alinhavo com as vivências do dia-a-dia. Aspectos da Historia e a vizinhança com o mundo de língua espanhola, no convívio pacífico ou nas guerras, forjaram um tipo humano muito especial para tomar conta do pampa. Depois de quase exterminar o gado espalhado pelos jesuítas na luta pela sobrevivência, a adaptação à terra e o pastoreio plasmaram a figura do gaúcho que se tem conservado e evoluído através dos tempos. Reflexões
filosóficas, antropológicas, de alcance social, ficaram e ficam para os estudiosos que o analisam independentemente de propriedade de terras. Se tivesse, hoje, que buscar um gaúcho autêntico, da mesma forma que no passado, eu o procuraria num galpão de estância, no peão, no trabalhador rural. Em nossa História, mais do que os patrões, ele forneceu suor e sangue para a afirmação do Continente de São Pedro. Foi miliciano mal armado na defesa das estâncias, do território luso ou brasileiro e foi insubstituível na atividade produtora.
Cuidar de rebanhos e de culturas, tropear durante meses, varar rios, enfrentar chuvas, ventos e geadas, tudo ele fez com o desprendimento dos vocacionados, dos que aceitam desafios, dos que sabem valorizar a vida a cada vitória sobre o meio hostil e a violência. O progresso misturou-se com ele e cobrou seu preço. Exigiu mudanças. As vastidões indivisas desapareceram. As grandes tropeadas passaram a ser temas para saudosistas, enquanto bois viajam de caminhão por vias asfaltadas.
As juntas de boi, as pipas para buscar água em cacimba, os candeeiros iluminando noites de assombração, tudo foi sendo substituído numa escalada de progresso e de melhoria de vida para o homem rural. Além da atividade, outra característica que destaco no gaúcho é o seu potencial para adaptações. Passou a entender de mecânica, dirige veículos, insemina e mexe em computadores. Especializou-se em muitas coisas, sem deixar de amanunciar, domar e bem cuidar dos cavalos.
Continua a usá-los na lida e, sobretudo, nas folgas nos dias de festa. Mas, cavalgando o progresso, passou a usar carro ou moto para deslocamentos maiores em menor tempo. Moderniza-se sem perder o rumo e conhece sua própria força na geração de riquezas. Grande parte dos proprietários rurais de hoje foram empregados, ou são filhos ou netos de trabalhadores do campo. Seu número supera de
longe o dos poucos proprietários que utilizam terras mantidas através de gerações desde as sesmarias dos tempos da conquista do território. Muitos dos empregados no campo são também pequenos proprietários. Não exigem terra própria como condição para nela trabalhar, produzir alimentos, e foram os últimos trabalhadores a se beneficiar das conquistas sociais. A previdência e a legislação trabalhista chegaram aos poucos no campo e bem depois de assistir às populações urbanas.Novos vínculos se estabeleceram entre patrões e empregados diante das muitas exigências criadas para bem produzir no mundo moderno.
A vocação para o campo, o bom relacionamento com os patrões e a identificação com os estabelecimentos em que trabalham inviabilizam seu aproveitamento como massa de manobra do MST. E não é por acaso que eles são as vítimas mais freqüentes durante as invasões de terra ou quando as fazendas são roubadas, no seu gado e nas suas sedes. A sua permanência no local de trabalho, sem as armas que protegiam os milicianos dos
tempos heróicos, faz deles candidatos naturais a um martírio fora de tempo e de propósito. Eles valem muito, mas se continuarem vivos, felizes, criando filhos e progredindo junto com as empresas, dentro da lei e em paz.
22 de Abril de 2009 às 22:25
Ruy Gessinger
* E DÊ-LHE FOGUETE e ROJÃO
Eu sei, eu sei, nosso país tupiniquim adora foguetes, rojões, falar alto ao celular no velório, etc.
Mas essa ontem à noite, na Praça da Matriz, nas comemorações em homenagem à França, essa foi de amargar.
Os vidros do meu apartamento, que é quase ao lado, quase se arrebentaram. Cães ganiam desesperadamente.
Pergunto: quem pagou esse foguetório? quanto custou? quem achou bonito?
Não tem aplicação melhor para esse dinheiro? Não seria melhor convidar uma orquestra para tocar?
Eehehe, os franceses presentes devem ter estranhado a falta das indefectíveis mulatas, o resto estava bem ao estilo brasileiro. Sorte nossa que temos dinheiro sobrandoooooo.
O BRASIL, ALÉM DE EMBURRECIDO, AGORA ESTÁ ENLOUQUECENDO.
Que a burrice acampou na Terra Brasilis, isso é fato. Mas enlouquecer como em outros países, isso não havia na terra onde nasceu Deus. Agora pessoas boçais, prepotentes, arvoram-se em justiceiras divinas, matam entes queridos e depois se matam. Tudo para que os que ficariam sem elas, não sofressem….
Que mentes doentes e loucas.
ATÉ TU, MINHA QUERIDA CONTRA-PARENTE?
Brincadeira, minha querida Luciana Genro, dileta filha do meu super amigo Tarso e neta do tio Adelmo Simas Genro. Até tu, em quem sempre depositei todas minhas complacências, até tu usas mal as passagens aéreas?
Que outros e outras, de partidos sem sentido, que são uma baita mistureca, façam a farra, se compreende, é do instinto, é da formação. Mas tu te equivocaste. Vais ver nas próximas eleições as pedras te pegando. Que pena.
Explico aos que estranhem esse texto, que não tenho filiação partidária. Mas acho que esses partidos pequenos, com suas críticas, ajudam a fiscalizar, a criar a dúvida, a criticar, o que sempre é salutar. Com isso da passagem ao sr. Protógenes - que não deveria ter aceito - o PSOL ficou muito parecido com os outros.
LUGO RIDES AGAIN
Vou ter de retirar minhas simpatias por sua Excelência Reverendíssima o Presidente Lugo. Puxa, se aparecer outra camponesinha maltrapilha na parada, fica feia a coisa….
COLA FINA GOSTA DE TEMPO BOM
Cleo Kuhn foi o consultor da Gaúcha hoje de manhã. Disse ele que o pessoal da cidade que telefonou só queria saber se faria sol, que tem horror à chuva.
Legal. Enquanto isso São Pedro parece mancomunado com os cola-finas e só manda chuva para o Nordeste e outras paragens.
Mas vou dizer uma coisa aos impiedosos: vocês não sabem o que os pequenos e médios produtores rurais estão passando com essa seca medonha.
às 13:40
Ruy Gessinger
Há horas vinha ouvindo falar nas maravilhas de POA no verão e, particularmene, no feriadões. Relutava aos convites de Luis Fernando Veríssimo para entrar no seleto clube da Sociedade de Amigos de P. Alegre no Verão.
Mas neste feriadão, cansado do stress da seca na Estância, das questiúnculas menores que me envolviam, da interminada BR 101 que leva à ex bela Florianópolis, desiludido com Punta e seus ventões depois de fevereiro, atendí aos conselhos de gurus meus como Flávio del Mese e Rogério Mendelski e me deixei ficar no meu apartamento ao lado do Palácio do Governo.
A Casa de Grelhados do shopping rua da praia está classudíssima como sempre. Mas hoje almocei no Piacevole. Mesas finamente arrumadas, garçons impecáveis, uma ilha de saladas internacional, espertíssima, cheia de cores e cremes e um entrecot de comer de joelhos.
Ontem à noite fui a um restaurante Chinês onde penetrei em todos os mistérios daquela cultura milenar, com seus brotos de bambus, molhos agridoces, temperos que me remetem ao início dos tempos.
Acordei hoje cedo com saudade dos meus amigos do Tênis Club de São Leopoldo. É um club com uma cultura diferente: o pessoal gosta de jogar cedo e se agrupou em turmas que têm horários de décadas já. Saí com meu carro pelo subsolo do edifício e percorri ruas e BR sem nenhum movimento. No clube de 14 quadras, só duas estavam ocupadas. Fazia um ano que não ia lá, desde que me mudei para a Capital: fui pequeno para tantos abraços, me emocionei para caramba e prometi voltar com um cordeirinho carneado para a época da Expointer.
Saí a pé, agorinha, comprar umas gulodices no Zaffari da Fernando Machado. O Centro ressuscitou: famílias passeando com seus cachorrinhos, jovens namorados correndo,gente bonita voltando a esse maravilhoso centro que andou tão abandonado e que , principalmente o poeta Fogaça, recuperou.
Da minha janela contemplo o arvoredo e a praça da Matriz e o Theatro SãoPedro com sua restaurada calçada . Funcionando a pleno, o complexo Multipalco vai ser um marco na revitalização da própria Capital.
Não adianta, nas cidades do mundo que conheço, a “downtown” sempre me é fascinante.
Quer entrar numa fria? hospede-se num hotel, mesmo de superluxo, longe do centro.
21 de Abril de 2009 às 16:45
Ruy Gessinger
Minha sócia, dra. Roseli Siedleski, envia:
PENSANDO DIREITO VIOLÊNCIA E AFETO
(o legado Guarani sob a lente da palavra)
Os Mbyá-guarani, que habitam as Missões, são tão diferentes de tudo o que conhecemos que apenas tentar entendê-los já é uma tarefa mais do que complexa.
Para eles, não apenas os humanos, mas todos os seres são dotados de espírito. Isso os leva a ter um relacionamento com a natureza muito mais respeitoso que o nosso, pois não tentam submetê-la.
A religiosidade é o principal elemento que os une e as casas de reza são construídas de forma a fazer com que todos fiquem o mais próximo possível uns dos outros. Suas preces não são para pedir vida eterna ou milagres, nem para não ficarem doentes, pois sabem que isso é impossível, mas que a doença, quando vier, não seja grave.
Quando alguém morre, o que havia de bom vai imediatamente para junto a Deus. Eles rezam, então, para afastar, do meio deles, tudo o que ficou de ruim daquele que morreu.
Os Mbyá-guarani não falam de si nem do outro e são tão transparentes que parece impossível vê-los dissimulando alegria ou tristeza. Eles vivem o hoje. O amanhã é algo que está fora dos domínios humanos e, portanto, impossível de ser controlado.
Embora muito pobres - alguns morando em beira de estradas - não são violentos e a docilidade desse povo chega a ser surpreendente. Eles jamais alteram a voz com os outros e a terra está presente no corpo, com a qual estão completamente integrados.
Eles têm também uma forma diferente de educar os filhos: jamais os agridem com palavras ou atos e a relação com as crianças é de tal forma afetuosa que elas não engatinham e somente saem do colo quando estão em condições de andar no mundo pelas próprias pernas.
Os Mbyá-guarani demonstram a existência de outros projetos humanos no planeta que temos o dever de conhecer, se não para mudarmos, ao menos para aprender a respeitá-los!
Com essas considerações preparatórias ao debate, com muito orgulho, o Grupo de Estudos Sebo Café promove “três anos de reflexões em debate”, objetivando inventariar o acúmulo teórico do grupo, através da investigação do legado e da inteligência (sistema de impressões e juízos) Mbyá-guarani, com a temática “Pensando direito violência e afeto”.
Local: Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo
Data: 15 de maio Hora: 19h34min - Participação especial de Bartomeu Melià
Apoio: IESA – OAB/RS – AJURIS – AMATRA IV - PREFEITURA DE SANTO ÂNGELO
Que Deus, na sua forma sublime da irmandade entre os seres, ilumine a todos
os que participarem dessa tarefa!
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às 07:13
Ruy Gessinger
Eu estava eufórico. Passara no vestibular da UFRGS, sabia que meu futuro estava assegurado: bons mestres, colegas de alto nível.
Cheguei ao baile de carnaval do Corinthians de Santa Cruz de calça Lee ( que quase ninguém tinha) e de uma T Shirt. Na minha terra natal as marchinhas eram ” puladas” e os ” sambinhas” dançados junto. Passava de mesa em mesa, conversando com conhecidos e seus pais e filando goles de cerveja. Até que, chegando à mesa do sr. X, percebí que sua filha Y, eterna namorada do meu amigo Z estava emburrada, sentadinha.
- queque foi Xzinha?
- brigamos. Terminamos.
- tira ela para dançar, me disse o pai, já cheio de brahmas.
Olhei em volta e vi, ali perto, meu amigo Z, metendo trago.
- tu não te importas que eu tire a X ?
- vai nesssa, e se puder, come ela, me disse o ex da Xzinha…
Peguei a guria e saímos enfezando no salão, até que a orquestra Cassino de S. Cruz tocou um sambinha:
” Vocêeeee partiu , saudaddes me deixoooou, eu choreeeeiii…”
Dançamos juntinhos, bem apertados, eu sentindo aquele corpito inteiro e o pior, o monte de vênus dela bem em cima do meu púbis.
Fomos nos arretando por cima da roupa até que lhe disse:
- vamos lá em casa!
Meus pais moravam no centro, passamos pela frente da Catedral, chegamos em casa e eu entrei pé ante pé pelos fundos. Ela esperou ao lado da janela, que abrí em silêncio, puxei-a para dentro e nos deitamos na minha cama de solteiro. Ouvia os roncos do pai e da mãe.
Ficamos pelados , eu não tinha prática, ensaiei um ” inter femura”, mas a emoção foi demais e, no estuar e explosão da libido, lá se foram meus fluídos para tudo o que é lado em cima dapobre Xzinha, enquanto me convulsionava.
Só me restou pegar minha toalha de rosto, onde estava escrito Bom Dia e secar a pobre da minha parceira.
Nos beijamos, vestimos e voltamos ao carnaval. No caminho atirei fora minha toalha de rosto.
Chegados de volta ao Clube ela foi ter com os pais , enquanto eu ia comprar um cachorro quente. Voltei com os dois e mais uma brahma gelada e o que vejo?
Dançava um sambinha com seu ex, reatara, não me esperara.
Casaram-se . São felizes para sempre.
19 de Abril de 2009 às 08:19
Ruy Gessinger
No começo custava a crer que alguém, em plena campanha, na região pastoril, pudesse sofrer de depressão.
Como assim, pensava eu? Uma pessoa envolta pelos pássros, a natureza, o céu estrelado, poderia se deprimir?
Pois pouco a pouco vou tomando pé da coisa. Centenas de pessoas da região da Campanha não tem outra solução a não ser migrar para Caxias e Bento, em busca de trabalho e vida digna. Simplesmente , em seus lugares de origem, não há emprego. Mas não há mesmo.
Os que ficam, em suas áreas de pequena extensão, vão tentando criar suas ovelhinhas e seu gadinho, sem padrão racial, sem poder comprar insumos. E o pior, a danada da seca que, em 15 anos, apareceu 12 vezes. Plantam a duras penas um pedacinho de soja, outro de milho, alguma ” fruta de verão” e, na época da colheita, pouco ou quase nada.
Nalguns campos de afloramento do basalto, em que a espessura de terra é de poucos milímetros, pouco se pode fazer em termos de agricultura. Irrigação? de que jeito, se não chove para encher os açudes? Se a instalação é caríssima?
Não sei não, mas antigamente se lia que o nordestino era um homem forte.
Forte mesmo é o gaúcho que ainda permanece no seu campinho, pele crestada pelo sol, aparentando bem mais que a idade real.
Penso que, para esses deveria haver um amplo programa de recuperação dos campos depauperados e esgotados, com boa assistência, até para fins de preservação ecológica.
Voltarei mais vezes ao assunto.
17 de Abril de 2009 às 17:04
Ruy Gessinger
* AUSÊNCIA
Andei mais enrolado que “cascavela” ou ” cruzeira” perto de ninho de preás.
Estive fazendo um diagnóstico de minha propriedade com o dr. Luiz Dornelles, que a vasculhou de cima até em baixo. A seca e os problemas da falta de pastagens cultivadas vão me obrigar a usar o sal proteinado. Isso vai fazer com que os bovinos elevem o teor de proteína no rúmen e, com isso, aproveitem bem as ervas secas que, do contrário, não comeriam ou digeririam. Aproveito, dessa maneira, para ” roçar ” o macegal na base da dentada. Poupo diesel, trator e, melhor ainda, não queimo o campo e ainda os pobres bichos enchem o bucho.
* MÔNICA LEAL.
Depois, acompanhei a fera chamada Mônica ( ela não para um minuto e já cruzou este RS em todos os quadrantes e tira leite de pedra) para participar do Forum do Desenvolvimento de Santiago. Está ensinando os Prefeitos a elaborarem bons e fundamentados projetos para grandes empreendimentos culturais. Mônica é uma das estrelas mais brilhantes do Secretariado de Yeda.
* FEIRA DE TERNEIROS
Depois fui supervisionar o loteamento dos terneiros que levarei para a Feira em Santiago, dia 23 deste mês. Loteio por padrão racial, pelagem e peso. Colorado com colorado, brazino com brazino, zebu com zebu, angus com angus. Terei mais de 200 terneiros à venda e os da Pecuária Gessinger conhecem mio mio, são rústicos e sãos, bem manejados e vão sair por um preço louco de especial.
É hora de comprar terneiros. É o melhor investimento: você os adquire e recria. Daqui a um ano a crise passou , o pau sobe e desce e o lombo descansa e o comprador está com os bichos estourando de gordos.
Porque eu mesmo não fico com todos? Por falta de espaço e porque quero dividir minha genética premiada com os outros.
* URUGUAY
Depois vim para o Uruguai, com um amigo, que quis olhar uma fazenda. Vim com ele, já demos uma olhada, tem muita coisa que reformar, principalmente cercas, mas parece que o negócio está bem perto de um acerto. Logo a noite vamos abrir um “Cerros de San Juan, tannat” e quero ver se , antes de abrirmos a sergunda botella , já meu amigo bate o martelo. Remate e negócio imobiliário, tem que tomar um pequeno traguito, pero muy despacito, porque é brabo tu pagares na água mineral o que compraste no vinho ou uisque….
* dr.WILSON FERRETTO
Do Uruguay me vou sábado para a fazenda do dr. Ferretto, na estrada entre Uruguaiana e Barra do Quaraí participar de um remate que esse baita criador de Ile de France promove. Já vou de S10 cabine simples que, se acaso arrematar alguma fêmea, já levo para a estância.
* SEGUNDA - FEIRA
JÁ RETOMO NORMAL O ESCRITÓRIO na Capital, nada de feriadão, que os prazos estão correndo.
* Então ficamos assim, rezando pela chuva que os colas finas tanto odeiam, mas que eles ainda vão compreender o valor da Agricultura, um dia vão!
* E UM ABRAÇO BEM CINCHADO no dr. Olimpio Simões Pires, essa legenda da advocacia!
16 de Abril de 2009 às 17:33
Ruy Gessinger
O respeitado jornalista Fernando Albrecht dá hoje no seu blog e eu assino junto. Vale a pena ler e guardar.
” O psiquiatra Sérgio de Paula Ramos é sabidamente um dos maiores especialistas brasileiros em dependência química. Sabe tudo, é o cara no assunto. Ao comentar o caso da mãe de Porto Alegre que foi obrigada a matar o próprio filho, dependente de crack, Ramos foi taxativo: “Tudo começa com álcool”. Na entrevista à Zero Hora, o psiquiatra também falou de como é difícil recuperar viciados nesta droga maldita. “Não mais do que meia dúzia”, disse. E olha que ele tem mais de 40 anos de estrada.
Não faz muito, Sérgio havia dito que não conseguiu recuperar nenhum dependente de crack. E sempre alertou que o álcool na adolescência é a porta de entrada de outras drogas. Cobrou mais rigor na Lei Seca e legislação severa para coibir o consumo de álcool entre menores. Sabendo-se que 70% dos homicídios estão ligados às drogas, não é preciso ser nenhum Einstein para concluir que viveríamos num mundo bem mais tranquilo não fosse elas. Utopia, certo, mas temos que começar com alguma coisa.
Cidades como Nova Iorque, que viveram o inferno do crack, conseguiram baixar o consumo para números toleráveis baixando uma linha dura contra o tráfico. Mas linha dura mesmo, do tipo de prender até mesmo um miserável e minúsculo vendedor da pedra maldita.
O fato é que já deixou de ser assunto médico. Virou caso de segurança nacional.
15 de Abril de 2009 às 07:27
Ruy Gessinger
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