Arquivo de 22 de Abril de 2009

TRABALHADORES RURAIS

Dou a palavra ao renomado Blau Souza. ( Publicado em O Sul Rural)

Pediram-me um texto para reunião em que seriam homenageados os trabalhadores rurais,os assalariados do campo.Para início de conversa, à moda de Cyro Martins, lhes prometi mais ou menos dois palmos de escrita. Boa parte disso, aqui alinhavo com as vivências do dia-a-dia. Aspectos da Historia e a vizinhança com o mundo de língua espanhola, no convívio pacífico ou nas guerras, forjaram um tipo humano muito especial para tomar conta do pampa. Depois de quase exterminar o gado espalhado pelos jesuítas na luta pela sobrevivência, a adaptação à terra e o pastoreio plasmaram a figura do gaúcho que se tem conservado e evoluído através dos tempos. Reflexões
filosóficas, antropológicas, de alcance social, ficaram e ficam para os estudiosos que o analisam independentemente de propriedade de terras. Se tivesse, hoje, que buscar um gaúcho autêntico, da mesma forma que no passado, eu o procuraria num galpão de estância, no peão, no trabalhador rural. Em nossa História, mais do que os patrões, ele forneceu suor e sangue para a afirmação do Continente de São Pedro. Foi miliciano mal armado na defesa das estâncias, do território luso ou brasileiro e foi insubstituível na atividade produtora.

Cuidar de rebanhos e de culturas, tropear durante meses, varar rios, enfrentar chuvas, ventos e geadas, tudo ele fez com o desprendimento dos vocacionados, dos que aceitam desafios, dos que sabem valorizar a vida a cada vitória sobre o meio hostil e a violência. O progresso misturou-se com ele e cobrou seu preço. Exigiu mudanças. As vastidões indivisas desapareceram. As grandes tropeadas passaram a ser temas para saudosistas, enquanto bois viajam de caminhão por vias asfaltadas.
As juntas de boi, as pipas para buscar água em cacimba, os candeeiros iluminando noites de assombração, tudo foi sendo substituído numa escalada de progresso e de melhoria de vida para o homem rural. Além da atividade, outra característica que destaco no gaúcho é o seu potencial para adaptações. Passou a entender de mecânica, dirige veículos, insemina e mexe em computadores. Especializou-se em muitas coisas, sem deixar de amanunciar, domar e bem cuidar dos cavalos.
Continua a usá-los na lida e, sobretudo, nas folgas nos dias de festa. Mas, cavalgando o progresso, passou a usar carro ou moto para deslocamentos maiores em menor tempo. Moderniza-se sem perder o rumo e conhece sua própria força na geração de riquezas. Grande parte dos proprietários rurais de hoje foram empregados, ou são filhos ou netos de trabalhadores do campo. Seu número supera de
longe o dos poucos proprietários que utilizam terras mantidas através de gerações desde as sesmarias dos tempos da conquista do território. Muitos dos empregados no campo são também pequenos proprietários. Não exigem terra própria como condição para nela trabalhar, produzir alimentos, e foram os últimos trabalhadores a se beneficiar das conquistas sociais. A previdência e a legislação trabalhista chegaram aos poucos no campo e bem depois de assistir às populações urbanas.Novos vínculos se estabeleceram entre patrões e empregados diante das muitas exigências criadas para bem produzir no mundo moderno.
A vocação para o campo, o bom relacionamento com os patrões e a identificação com os estabelecimentos em que trabalham inviabilizam seu aproveitamento como massa de manobra do MST. E não é por acaso que eles são as vítimas mais freqüentes durante as invasões de terra ou quando as fazendas são roubadas, no seu gado e nas suas sedes. A sua permanência no local de trabalho, sem as armas que protegiam os milicianos dos
tempos heróicos, faz deles candidatos naturais a um martírio fora de tempo e de propósito. Eles valem muito, mas se continuarem vivos, felizes, criando filhos e progredindo junto com as empresas, dentro da lei e em paz.

Adicionar comentário 22 de Abril de 2009 às 22:25 Ruy Gessinger

CURTAS & GROSSAS

* E DÊ-LHE FOGUETE e ROJÃO

Eu sei, eu sei, nosso país tupiniquim adora foguetes, rojões, falar alto ao celular no velório, etc.
Mas essa ontem à noite, na Praça da Matriz, nas comemorações em homenagem à França, essa foi de amargar.

Os vidros do meu apartamento, que é quase ao lado, quase se arrebentaram. Cães ganiam desesperadamente.

Pergunto: quem pagou esse foguetório? quanto custou? quem achou bonito?
Não tem aplicação melhor para esse dinheiro? Não seria melhor convidar uma orquestra para tocar?

Eehehe, os franceses presentes devem ter estranhado a falta das indefectíveis mulatas, o resto estava bem ao estilo brasileiro. Sorte nossa que temos dinheiro sobrandoooooo.

O BRASIL, ALÉM DE EMBURRECIDO, AGORA ESTÁ ENLOUQUECENDO.

Que a burrice acampou na Terra Brasilis, isso é fato. Mas enlouquecer como em outros países, isso não havia na terra onde nasceu Deus. Agora pessoas boçais, prepotentes, arvoram-se em justiceiras divinas, matam entes queridos e depois se matam. Tudo para que os que ficariam sem elas, não sofressem….

Que mentes doentes e loucas.

ATÉ TU, MINHA QUERIDA CONTRA-PARENTE?

Brincadeira, minha querida Luciana Genro, dileta filha do meu super amigo Tarso e neta do tio Adelmo Simas Genro. Até tu, em quem sempre depositei todas minhas complacências, até tu usas mal as passagens aéreas?

Que outros e outras, de partidos sem sentido, que são uma baita mistureca, façam a farra, se compreende, é do instinto, é da formação. Mas tu te equivocaste. Vais ver nas próximas eleições as pedras te pegando. Que pena.

Explico aos que estranhem esse texto, que não tenho filiação partidária. Mas acho que esses partidos pequenos, com suas críticas, ajudam a fiscalizar, a criar a dúvida, a criticar, o que sempre é salutar. Com isso da passagem ao sr. Protógenes - que não deveria ter aceito - o PSOL ficou muito parecido com os outros.

LUGO RIDES AGAIN

Vou ter de retirar minhas simpatias por sua Excelência Reverendíssima o Presidente Lugo. Puxa, se aparecer outra camponesinha maltrapilha na parada, fica feia a coisa….

COLA FINA GOSTA DE TEMPO BOM

Cleo Kuhn foi o consultor da Gaúcha hoje de manhã. Disse ele que o pessoal da cidade que telefonou só queria saber se faria sol, que tem horror à chuva.
Legal. Enquanto isso São Pedro parece mancomunado com os cola-finas e só manda chuva para o Nordeste e outras paragens.
Mas vou dizer uma coisa aos impiedosos: vocês não sabem o que os pequenos e médios produtores rurais estão passando com essa seca medonha.

Adicionar comentário às 13:40 Ruy Gessinger


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