Arquivo de Abril de 2009

CURTAS & GROSSAS

* PEDRO SIMON - O EXEMPLO DE PROBIDADE

Que coisa! Nunca votei no sr. Simon. Para nada. Mas hoje devo reconhecer que foi um erro.
Sigam-me. Existem leis que proibem o malbaratamento dos recursos públicos? Sim! Adiantou para a maioria dos que assaltaram os cofres do povo? Não.

Então respondam: por que Simon não usou as verbas ditas ” indenizatórias” ?

Por que dentro dele está impresso, indelevelmente, um Código de Honra. Simon não precisa de leis para saber o que é certo e o que é errado!

* VISITA À ZONA.

Como diria aquele marido flagrado com manchas de baton: calma, não é nada que estás pensando.
Refiro-me à visita organizada por Marco Maia ( PT) e Luis Carlos Heinze ( PP) à zona de estiagem. ( Salvo dois ou três que leem meu blog na região de produção, você, caríssimo cola-fina de POA e adjacencias, não sabe quem é Heinze. Ele é o grande líder dos pequenos e médios produtores rurais e, se fosse mais assíduo na imprensa de POA, seria páreo forte para Governador). Bueno, dito isso, sugiro, mui respeitosamente, que levem junto dona Yeda e mostrem a ela os campos crestados e o milho perdido, além das demais imagens nordestinas da região. Lá do seu gabinete refrigerado ela não consegue ver.

* OS POSTULANTES DO PT

Riram-se de mim quando eu disse, com exclusividade, há meses, que o Ary Vanazzi ( vocês meus tres ou quatro leitores do interior que não sabem quem ele é, saibam que o homem é prefeito de S. Leopoldo), queria se inscrever para as prévias. Não duvidem dele. Ele derrubou o PP e o PMDB em São Leo e mais: trouxe-os para suas alianças, além de transformar a terra capilé num canteiro de obras.
Surge Adão Vilaverde. Também gosto dele e aprendi a o admirar nos programas da TV Pampa. É magnético, sereno, estudioso e tem carisma.

Tarso Fernando Herz Genro é jurisfilósofo, político hábil, correto, firme, mas aquela prévia contra Olívio… hmmmm aquela prévia……

* CONCURSO PARA OFICIAL DE JUSTIÇA NO TJ

Eu sabia. Pão de pobre quando cai, cai com a manteiga para baixo.
Estava aí a chance de o pessoal de nível médio arrumar um bom emprego. Já surgiu uma ação visando a exigir nível superior.
Meu feeling é que não levam. O Des. Armínio não iria deixar sair um edital bichado.

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AINDA O BARRACO NO EXCELSO PRETÓRIO

Trago hoje mais uma opinião de peso sobre o lamentável episódio ocorrido no STF.

NAS RUAS COM O MEU DINHEIRO

Paulo Passos*

Por ato impensado de um de seus Ministros, a magnitude do STF foi manchada.

Não que isso tenha se constituído em surpresa. Ao estabelecer também em sede do Judiciário o famigerado sistema de cotas (esquecendo-se que ali deve imperar o equilíbrio, o comedimento, o senso de justiça, a cultura jurídica, muito mais que o partidarismo político, cor da pele ou origem social), o Presidente da República quase que escrevia a crônica de uma tragédia anunciada.

Descomedido, pecando pela falta de educação, de ética e, principalmente de acato ao seu superior hierárquico, um funcionário a quem o Estado outorgou a mais alta competência jurisdicional propiciou aula invulgar de falta de cidadania.

Deixou a quilômetros os princípios da educação ao, de maneira ríspida e grosseira, sob o manto da toga, proferir palavras próprias de botequim, ou, quiçá, de locais menos nobres.

Foi antiético ao fugindo do seu estrito dever legal – discutir fatos e Direito na busca de solução da lide -, usar do plenário daquele sodalício para, ao que parece, destilar ódios de há tanto contidos, proferir ataques pessoais os mais graves.

Deixou de acatar a hierarquia – alicerce básico da Administração - ao, em seu destempero, insurgir-se não contra opinião de um de seus pares – o que possível e louvável -, mas, ir além, acusar, desfazendo de seu modo de condução, o Presidente da mais alta Corte Brasileira, a quem deve, portanto, enquanto Juiz, subserviência.

O fato que, indubitavelmente mereceria instauração de procedimento administrativo, marcou, além da cena perpetrada pelo ministro-pugilista (de seu cartel, ao que se infere da imprensa, constam os treinos que fazia em casa, usando por sparring a própria mulher, além das vitórias por desistência contra outros quatro Ministros, alguns até debilitados fisicamente), por bordão exaustivamente repetido ao seu interlocutor: Faça como eu Ministro, saia às ruas!

Levado pelo inusitado do que assistia, debrucei-me, faço a mea culpa, simplesmente sobre esse ponto, inocentemente querendo crer, como todo o brasileiro, que, finalmente encontrara alguém que sensível às angustias dos jurisdicionados teimava em deixar a redoma de vidro em que, invariavelmente, se abrigam os componentes dos Tribunais Superiores, e viesse ao seio do povo, caminhasse pelas periferias sofridas, sentisse, enfim, o grito silencioso que brota das sarjetas.

Para o meu desencanto, no entanto, no dia seguinte ao fatídico acontecimento, me chamou a atenção a imprensa para fato de que o senhor Ministro, na mesma tônica de tantos outros, em Brasília, conhece por ruas, apenas o caminho que segue em busca de restaurantes de primeira linha da capital da Republica, onde, quem sabe, entre os mais variados e sofisticados pratos converse com requintados garçons sobre a temperatura do vinho, sempre sob a vigilância e deleite dos repórteres que cotidianamente cobrem o local.

Incomodado, quem sabe com a repercussão negativa, que punha em cheque suas palavras, o Ministro fez questão de comparecer a sofisticado restaurante carioca – tido como o mais tradicional daqueles que servem o centro do Rio -, refestelando-se com as iguarias ali servidas, bem como, após isso, como o atleta que cumprimenta a torcida, caminhar por dois quarteirões, buscando láureas por sua atuação.

E o fez de maneira pausada, distribuindo acenos e se fazendo fotografar, dizem as reportagens, até chegar ao carro oficial, estrategicamente estacionado a certa distância do Bar do Luiz, seu destino inicial.

Senhor Ministro, se a indignação anterior com o episódio ao que senhor deu azo, por parte do velho cultor da Justiça era grande, agora mais se avoluma, ao notar que V. Exa. além de em pleno dia útil (sexta-feira, 24 de abril), ao invés de se dedicar ao labor para o qual é pago, se dar ao lazer, ainda usa para tanto automóvel pago pelo cada vez mais suado dinheiro da população brasileira.

Não afrontou o senhor a nação brasileira somente ao fazer estremecer, por mera bazófia, os pilares do Poder Judiciário, pilastra maior em que se alicerçam tantas esperanças. Atentou também contra a boa-fé dos cidadãos, ou ao menos daqueles que ainda colocavam o STF no ápice das instituições confiáveis.

Vá às ruas, efetivamente, senhor Ministro. Percorra os grotões onde se abriga uma população esquecida; vá às favelas, onde as desgraças humanas se sucedem; perambule pelas ruas, nas madrugadas, presencie os dramas dos menores abandonados e dos maiores sem futuro. Faça com o que o Judiciário se humanize Para isso, por favor, use o carro oficial. Para o descanso extemporâneo, na procura de absolvição popular, use de seu próprio veículo. É o que como cidadão brasileiro, dono de uma parcela de tal automóvel, irresignado com a afronta, eu determino.

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*Advogado

fONTE - mIGALHAS

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O BARRACO ( SIM, O BARRACO) NO EXCELSO….

Vejam o que o experiente e respeitado des. Nelson Oscar de Souza diz , sem meias palavras.

Insensibilidade social

(28.04.09)
Por Nelson Oscar de Souza,
desembargador aposentado do TJRS.

Mensagem há pouco recebida de amigo magistrado conclui assim: “por aqui o tempo segue instável, esquisito, que nem o STF…”

Realmente perfeito este registro. A sociedade brasileira, em peso, tem a mesma impressão. Não há como negar… A Corte Suprema nos tem oferecido, nos últimos tempos, este penoso espetáculo: decisões instáveis, contraditórias, incompreensíveis - todas com ares de uma certa esquisitice de velhos bacharéis (desimportando a idade)…

E, na semana passada, o clímax: o bate-boca entre o desabrido presidente da corte e um colega que lhe assacou uma verdade insofismável: “Vossa Excelência está destruindo a Justiça desse País… está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro…”

O titulo deste artigo, a princípio, foi pensado como ´o Supremo Tribunal Federal e a crise da adolescência´. Nada de irreverente ou depreciativo. Tenho a convicção firmada de que o atual estágio evolutivo vivido pelo STF é sumamente salutar e necessário. A imagem retirada do linguajar da psicologia retrata perfeitamente, data venia, essa situação.

Trata-se, nada mais nada menos, do que uma crise de identidade. E esta é própria da adolescência.

Que crise de identidade é essa ?

Dois aspectos gostaria de ressaltar ao leitor leigo.

Primeiro: a Constituição vigente acaba de completar os seus primeiros 20 anos – adolescente, ainda, sem terem sido assimilados, pela sociedade e pela própria corte, as suas mais novas e sérias inovações.

Segundo: não se pode confundir decisões individuais de alguns ministros, com as decisões coletivas. Embora, também nestas, possa ser apontada como certa a presença dessa mesma crise. Cabe lembrar que a maioria absoluta é constituída por juízes com menos de seis anos de exercício, eis que nomeados pelo atual “governo”.

O episódio dos inocentes de colarinho branco. O ministro Gilmar Mendes – presidente eleito para o biênio – resolveu soltar quem fora mandado prender por magistrado de primeiro grau. Cabem várias considerações. Primeiramente, a personalidade do senhor ministro. Subjetivamente, ele próprio, como advogado-geral da União, havia sido mandado sindicar pela Policia Federal. Jamais se libertou desse episódio, conforme confessou em suas entrevistas à imprensa, na época.

A decisão ministerial, que se chocou de frente com a consciência da sociedade brasileira, revelou falta de sensibilidade social e deve ter sido consequência daquela determinante subjetiva. De outra parte, o autoritarismo de quem detém tamanho poder: o de reformar as decisões de magistrado de instância inferior. Decisão pessoal, em liminar, sem consultar ninguém.

Autoritarismo que se revelou mais flagrante no momento da segunda decisão: ameaça de punição do juiz prolator, como se a este a Constituição não outorgasse a independência de julgamento!

Tratou-se, simplesmente, do destempero inadequado a um ministro. Resultado: a unanimidade da magistratura manifestou-se contra o ato intempestivo. Consequência maior e mais profunda para o cidadão comum: a cisânia semeada gratuitamente entre os magistrados e a idéia de uma crescente desconfianca contra o Poder Judiciário que, na época, somente detinha 56% do apoio popular. Depois…

Depois seguiu-se, por todo o país e em toda a imprensa, a brilhante e desmoralizadora criatividade dos chargistas. Ora, é sabido e ressabido que os chargistas representam os órgãos de ressonância da média do pensamento e do sentimento de toda a nação ! Nunca ministro algum fora objeto de tamanho deboche.

Mas agora a coisa desandou mesmo. Há dias, o mesmo ministro – que revela cada vez mais a sua dissintonia com a unânime opinião pública do país - resolveu soltar mais outros inocentes de colarinho branco ! Os inefáveis executores do mensalão… O ex-calvinho Marco Valério, e seus íntimos, passando-lhes a credencial de pessoas dignas de figurarem no jet-set internacional – de figurarem, com título e com brilho nos mais conceituados meios social, bancário, político, juntamente com o impoluto sr. Cacciola…

É preciso ter cacife para subir tanto no conceito público deste país…

Não bastam, entretanto, as traquinagens jurídicas cometidas pelo presidente da Corte Maior: agora a elas se juntam ainda, com a mesma inconsciência, as do sedizente ministro da Justiça ao negar a extradição de um terrorista e assassino de conceito internacional, condenado em definitivo à prisão perpétua pelo Poder Judiciário italiano !

Anote-se: o presidente brasileiro, e seu ministro, afirmam que a Itália deverá respeitar a decisão do governo brasileiro, sem lembrarem que, assim procedendo, estão atropelando decisão soberana dos Poderes constituídos daquele Governo !

Quem é, na ordem das coisas, esse ministro e qual o critério objetivo para colocar sob suspeição a lisura do julgamento das cortes italianas ?

O chargista Iotti, com sua intuição genial, retratou muito bem os motivos determinantes dessas açodadas decisões (ZH, 27.1.2009, p. 15): a ideologia subjacente - não é verdade que os nossos escalões superiores de mando abrigam ou abrigaram assaltantes de bancos, sequestradores de um embaixador e de brasileiros, tendo matado civis inocentes com suas bombinhas ? E o “presidente” e auxiliares principais não continuam jurando amor eterno aos ditadores de plantão, todos integrantes do Fôro de São Paulo ?

Pergunta-se: até onde e até quando suportará a nação esse acinte aos seus sentimentos de honestidade e justiça ? E até quando reinará a impunidade patrocinada pela corte maior ?

Observação final: e - pasme-se ! - será o órgão maior do Poder Judiciário brasileiro a quem caberá decidir sobre esse ato insensato do Poder Executivo !…

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AINDA A GRIPE SUÍNA

O festejado Luis Felipe Tusi nos informa:

Acabei de ler no teu blog sobre a Gripe Suína. Ontem escrevi sobre ela, sugiro que o amigo leia, se possível. Vasculhando reportagens antigas da Revista Scientific American, achei uma edição de 2005 que já anunciava a possível chegada de uma nova Pandemia de Gripe. Naquela época eles falavam mais sobre a Gripe Aviaria, mas não descartavam outro tipo.

Sabe o que me assusta: O atual surto é provocado por uma versão mutante do vírus H1N1 capaz de infectar humanos e se propagar de pessoa para pessoa e, entre as pandemias que ocorreram ao longo da história, a mais devastadora e brutal foi a Gripe Espanhola (1918), também causada por um tipo de vírus H1N1, que matou 50 milhões de pessoas, mais do que a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Ainda bem que a ciência e a medicina evoluiram muito e passaram a contar com mais recursos para agir nessas situações.

Ocorre que o vírus da Gripe Suína é geneticamente diferente do vírus H1N1 que vem atacando humanos nos últimos anos e contém DNA associado aos vírus que causam as gripes aviária, suína e humana, incluindo elementos de viroses europeias e asiáticas.

Os vírus da gripe têm a capacidade de trocar componentes genéticos uns com os outros, e parece provável que a nova versão do H1N1 resultou de uma mistura de diferentes versões do vírus, que podem normalmente afetar espécies diferentes no mesmo animal hospedeiro.
Os porcos normalmente oferecem uma condição boa para que esses vírus se misturem.

Segundo a Scientific American publicou em 2005, com base em novas considerações da OMS, é provável que as autoridades não tenham a menor chance de barrar o avanço de uma pandemia nascente se não conseguirem contê-la em 30 dias.

E o que acaba de me assustar: Hoje o site da BBC publica que a Gripe Suína já tem casos confirmados em quatro continentes e que a OMS afirmou que o vírus da doença não pode mais ser contido.

A população deve ser melhor informada. Aposto um cafezinho que não vai demorar para surgirem casos confirmados no Brasil e no nosso Estado.

Infelizmente, novamente somos atingidos por vírus da gripe.

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CURTAS & GROSSAS

DEU NO JORNAL DO COMÉRCIO DE HJ - COLUNA DE DANILO UCHA

Terneiros
A Pecuária Gessinger, de Unistalda, fez bons negócios na Feira de Terneiros realizada em Santiago. Das 2.100 cabeças vendidas, 207 foram dela. Ruy Gessinger está entusiasmado com a qualidade do gado, apesar da “seca medonha”, mas lamentou que a imprensa não foi à feira. De minha parte, não fui avisado.

Está certo Ucha: na próxima não vamos falhar !

* BLOG DO FERNANDO ALBRECHT

Os ciclos do medo
Os epidemologistas dizem que uma pandemia de gripe surge de 30 em 30 anos. A Espanhola, que começou em 1918, matou 20 milhões na Europa e 50 milhões no mundo. Nos anos 1960, tivemos a gripe asiática no Brasil e, nos anos 1970, surgiu a febre suína – as imagens de brigadianos matando porcos com fuzis correram o mundo. Nos anos 1990, surgiu ameaça cuja letalidade não se confirmou, a Sars. Mais recentemente, tivemos a gripe aviária.
O mesmo ocorreu com a gripe aviária, se bem que a OMS diz que mais cedo ou mais tarde haverá uma pandemia com este vírus. O diabo com a gripe suína é que o vírus é uma combinação de três, a aviária, a suína e a humana. Portanto, oremos.

* HOJE É O NIVER DE PAULO SÉRGIO PINTO

A saber, meu amigo, amigo da nossa estância, onde sua filha a veterinária Anna Paula estagiou, vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação e outras mil atividades e honrarias.
Eis o texto do mail que mandei a ele:

Paulo Sérgio Pinto:

Quem é esse cara que conheço há tantos anos, mas só agora o tenho mais perto ?

É o amigo que olha nos olhos e fala as coisas sem floreios!
É o cara que acarinha teus familiares e se lembra de perguntar por eles!

É o cidadão que tem suas convicções e só muda ante um bom argumento !

É o pai carinhoso e o marido super gentil para com a esposa !

É o cara sempre cercado de amigos, mas que sabe exatamente onde encontrará um parceiro leal e sincero !

Longa vida e muita saúde, amigo P. Sérgio !!!

* TRIBUNAL DE JUSTIÇA ABRE INSCRIÇÕES PARA OFICIAL DE JUSTIÇA.

Escolaridade: ensino médio completo.

Salário: rs. 4.700,00 ( sim = quatro mil e setecentos reais) por mês.

Aposto que haverá cerca de 50 mil inscritos.

*DONA YEDA CONTINUA COM A CHAVE DA SOLUÇÃO PARA ESTIAGEM

Que alegria. Ela declara que o Rio Grande será o nirvana da irrigação.
Conforme já postei anteriormente, quero a ficha um para puxar água lá do Uruguai, a 150 kms da estância e até vou dividir com os vizinhos. Já os convencí que um aqueduto poderá ser pago em parcelas mensais no prazo de três séculos e meio, ao preço que está o boi.

Também podemos pensar numa mega represa, mas aí é brabo porque vai custar uns 90 anos para encher. Mas a gente espera, ” sêmos calmo”. Além disso, ” nóis acredita”, principalmente nos comunicadores que propalam a panacéia aquática….

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SOBRE VELÓRIOS

Não, não vou falar sobre o velho aforisma ” de mortuis nil nisi bonum” ( dos mortos nada a não ser o bom, ou por outra, dos mortos só se fala o bem).

Se o amigo ainda não leu ” Se foi seu Luiz”, é melhor fazê-lo antes de ler esta crônica. Está aí em baixo.

Vou falar um pouco sobre velórios, essa liturgia que acompanha o homem e até alguns animais. Pergunte a qualquer campeiro: os outros vacuns choram no lugar onde foi sangrada uma rês. Eu já vi.

Os velórios da campanha e também os da cidade estão mudando.

Primeiro, quando um campeiro morria no hospital da cidade, a rádio transmitia o alerta para que os peões carneassem uma novilha gorda. O velório durava toda a noite , era feito na estância e assava-se o churrasco.

Nas médias e pequenas cidades, os velórios nas casas foram sendo substituídos pelas funerárias ou necrotérios.
Em P. Alegre, o velório ficou asséptico. O ambiente é climatizado, poltronas em forma de anfiteatro, o esquife num lugar de destaque . Reina o silêncio porque os circunstantes não se conhecem; mas todos conheciam o morto. A um sinal, a família dá o adeus, o caixão rola para dentro de cortinas e tchau.

Seu Luiz foi velado em Santiago e às 4 da tarde saiu o cortejo de automóveis rumo à estância, onde foi sepultado.

Fiquei observando aqueles homens de pele maltratada pelo sol e pelo vento, a testa com uma parte branca por causa do uso contínuo do chapéu.

As mulheres com cabelos, mãos, unhas e vestes, denotando a rudeza de suas vidas.

Nenhuma cena histérica, nada de gritos lancinantes, nem estouro de risadas. Apenas o terço com sua hipnótica sequencia de ave-marias.

Gente digna, solidária, parceira. Cada dia admiro mais e mais os campeiros.

O velório não é para o morto.

O velório é um rito de passagem para os que ficam.

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SE FOI SEU LUIZ

Seu Luiz é pai do Messias. Messias é um dos meus colaboradores na estância.
Messias casou, a esposa engravidou. Na hora de nascer, o piá teve problemas. Ia morrer. A salvação estava em Santa Cruz. Os médicos, mais minha irmã Nice, mais minha mãe Ludmila, mais Messias, mais o Pe. Reus o salvaram.

Messias é um dos melhores laçadores de Unistalda. Campeiro melhor, impossível.

O pai dele era produtor rural. Lembram que há dias postei matéria referindo a DEPRESSÃO que grassa nestas bandas de Santiago e arredores?

O pai dele chamava-se Luiz.

Hoje ele decidiu, lá nos confins de Maçambará, se dar um tiro.

Dívidas, safras frustradas, depressão, que sei eu. Seca, seca e mais seca. Ufanismos, anúncios de barragens, nada disso resolve. Só para os politiqueiros e aproveitadores.

Seu Luiz se matou, agora, 17 hs.

Chama a Polícia. Fundo de campo.
Toca o telefone celular, é meu capataz Luiz César. O corpo tem de ser levado para autópsia em Uruguaiana, distante mais de 100 kms. O corpo jaz, no calor, na seca, o sangue já exalando odor.
Amanhã a jornada prossegue.

Querem que o delegado Nenito Sarturi libere o corpo. Mas Luiz se matou em Maçambará, cuja delegacia é em Itaqui, cujo legista é em Uruguaiana. Nenito nada pode fazer.

O corpo do campeiro de bombachas, já exalando odor, inerte e os amigos e parentes sem poderem fazer velório.

E nada de vir o carro para levar o homem a Uruguaiana.

E eu, louco para dizer: abram uma cova e enterrem esse homem num enterro de campanha, que eu me responsabilizo.
Mas eles fizeram o erro de chamar a Polícia, essas crenças , essas bobagens.

O corpo jaz insepulto, cinco horas após o suicídio.
A dona burocracia grasna e crocita, dando risada desses campônios inocentes, que teimam em seguir normas de um país sem normas e sem respeito.

Se fosse alguém da minha família, teria enterrado normalmente, sem comunicar coisa alguma e depois pagaria qualquer coisa com cestas básicas…

Seu Luiz se deprimiu e decidiu se matar. Esqueceu-se que se matou num país sem fundamento. Esqueceu-se que teria sido melhor , dadas as dificuldades para lhe dar um sepultamento digno, negar as contas, mandar os credores à puta que os pariu.

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AINDA O EMBURRECIMENTO GALOPANTE

Há horas venho falando nisso.
Mas hoje pinçarei algumas coisas a mais.

* Marcos Rolim escreve hoje em ZH, pg. 18: ” O Som nosso de cada dia”.
E se indaga: como é que dá para aguentar um grosso que ” coloniza” um território e impõe sua música?
É isso, meu amigo Rolim. Hoje parece ser proibido até almoçar num restaurante sem TV ligada ou sem música de péssimo gosto. E que dizer da praia, onde ” emergentes”, a maior parte com dinheiro mal explicado, chacoalham seus correntões ao som de barulheiras, sem ter pena dos vizinhos?
E a praga dos carros com alto som: para que exemplo maior de prepotência e boçalidade?

* E alguns comunicadores?

Quanto dano prestam esses ” próximos”. É comum, até em grandes emissoras, ouvir-se:
-é isso, João, com certeza eu acho que não paira dúvida… ( é o tal do ” com certeza”, logo depois não é mais certeza).

- aqui o repórter das ruas Carlinhos! olha pessoal, um caminhão ia subindo uma ladeira, ou seja, ia para cima, o motorista que guiava o caminhão, ou seja, o condutor do veículo, levava esse caminhão de carga, ou seja, esse veículo destinado a carregar coisas….

- finalmente, oh que desgraça, como eu queria entender isso! O Latim é pronunciado com sotaque inglês. Era tudo o que me faltava! Cerveja ” prrriiimium”, que lindo, Premium sendo pronunciado como um inglês o faria. Mais: Strudel, palavra alemã, também como se fosse inglesa e por aí vai.

SURTO APÓS BARULHEIRA NUMA FESTA

Os jornais dão conta que, num município pequeno, um vizinho irritou-se com a barulheira, saiu de revólver em punho , teve um surto e alvejou pessoas.

Não conheço a cidade nem seus personagens. A Justiça decidirá. Eu fora.

Mas, confesso até envergonhado, que eu mesmo já perdí a estribeiras certa vez, na praia quando, após duas noites sem poder dormir, fui reclamar do som, numa residência em frente.
É que você se revolta por várias coisas, não é só o som alto e não poder dormir. Eu me revolto com a prepotência, com a falta de respeito, com a ausência de limites e do bom convívio.

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EXTRA, EXTRA!!!! SOLUCIONADO O PROBLEMA DA ESTIAGEM!!!

Aleluia! Hosannas! Yeda defende a irrigação como solução para a estiagem!!!

Que beleza!

Como é que nós , gaúchos grossos, teimosos e burros, não tínhamos visto isso antes? Oh., que vergonha! É por isso que o Brasiuuuu nos odeia. E com razão.

Mas é claro que aí está a solução!

Vou puxar , lá da barragem que Yeda visitou hoje ( são mais ou menos uns 100 kms de Unistalda) uns aquedutos a la romana, também podem ser subterrâneos, a preciosa água e daí só falta instalar os tubos par aspersão, mais os motores. Que maravilha: vou vender os meus terneiros ( no Brasil se diz bizzzerruus)a 400 a cabeça e apenas levarei três séculos e meio para pagar o investimento. Mas ao menos os bichinhos não passarão sede. Vivaaa.

Claro que só têm uns poréns: e se não chover, como é que a barragem do Taquarembó vai encher? Tá certo que só faz 15 anos que tem seca em nossa região, mas talvez dê uma puta de uma enchente como em Pelotas e morram só uns cem ou mil , mas ao menos teremos água.

Mas tem outros poréns: e os que não puderem, como eu, que vou emitir , por vez primeira, cheques sem fundo para pagar os dutos e esses pivôs, será que eles não vão obter da Justiça uma liminar, assegurando-lhes, pelo princípio da isonomia, o direito à água a jusante ou a montante da barragem?

Mas é eu que tô muito ranzinza.

Boa ,dona Yeda, é por aí.
Muito obrigado por ter findado a estiagem.

Já vou gastar por conta….
Vou tomar uma Freixenet Brut no bico.

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CURTAS & GROSSAS

* PROJETO DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

O site Migalhas de hoje publica-o integralmente.

A Exposição de Motivos, ” comme d’habitude”, desde a República Velha, é quase uma monografia a serpentear por teses e teorias penais. Como é de se constatar, surgiram e se revigoraram palavras da moda, como garantismo etc, mas de novo temos um código analítico, cheio de formalismos, apesar de a Exposição dizer que só se mantivreram determinadas regras, para conter prisões desnecessárias, antecipações de condenações e garantir o indivíduo na presunção de não culpa.

É como sempre digo. O ideal seria que, ao fim e ao cabo de todo o processo, esgotadas todas as instâncias, fosse chamada a Humanidade a dar o ” veredictum” final, mas sempre ressalvado um último agravo celestial a Deus.

Mesmo você que é leigo, acesse o Migalhas e dê uma lida na Exposição de Motivos: claro que ao chegar na terceira página vai desistir, porque está escrito em juridiquês. E V. Exa., conspícuo colega lidador do Direito, leia e mande me dizer o que achou.

Missivas eletrônicas para ruy@gessinger.com.br

*SUA EXCELÊNCIA REVERENDÍSSIMA O PRESIDENTE LUGO

Para se ver que todo o juízo precipitado leva a grande possibilidade de erro. O sr. Da Silva, nosso egrégio Presidente, foi se tomar de dores por aquela moça que se autolesionara e precipitou-se da cavalgadura.
Este rotativo foi se apaixonar pela inicial atitude do inefável presbítero paraguaio e deu no que deu.

Pensando bem: se eu fui seduzido pelo clérigo e sua tese humanitária, coisa lógica aquelas camponesas terem fenecido às tórridas promessas do céu aqui na Terra mesmo….

Terei que voltar às minhas leituras dos filósofos gregos.

*CONFITEOR! SOU UM BRASILEIRO INGRATO.

Vou ajoelhar-me sobre grãos de milho a título de penitência por vergastar tão acremente meu doce país.

É que , abrindo ZH de hoje, pg. 35, vejo o opulento presidente eleito da África do Sul, de lança em punho, vestido de tigre, mas ( oh quanto bom gosto) de tênis Reebok, dançando com uma de suas quatro esposas que, só de biceps tem o dobro de minha coxa malhadinha, a mulher também fantasiada, desta vez de leoparda, mas de tênis e meinha básica soquete.

Acabo de baixar pela Internet uma foto do sr. Da Silva, sóbrio, sorridente, de mãozinhas com a dona Cristina e seu larguíssimo sorriso. Vou entronizá-lo na minha casa.
Em tempo: eu se fosse o esposo da dona Cristina passaria a acompanhá-la em suas viagens, principalmente quando fosse ao Brasil.

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