Miles de mails, entre os quais se destacam a da gloriosa Nivia Andres, blogueira talentosa, literata, mestra consagrada; Monica Leal, secretária da Cultura do Estado; Júlio Prates, o rei da polêmica; Lia Paul.
Reproduzo um mail, o de um consagrado advogado deste Estado, o dr. Rogowski .
Gostaria de dizer que o relato concernente a Willibaldo não é ficção.
Lá vai o mail:
Caro Colega Ruy Armando Gessinger,
Cordiais Saudações !
Quando eras Juiz na Vara da Fazenda Pública, em Porto Alegre, após uma audiência, me contasses uma história sobre um processo que julgasses quando oficiaste em uma vara cível, relacionado com ENFITEUSE.
Aquele breve bate-papo informal marcou sobre maneira minha carreira como advogado, um dia te explico melhor.
O querido amigo Jorge Loeffler enviou-me e-mail hoje indicando teu blog. Bá, mas a história do seu Wilibaldo, que tristeza !!
Fiquei tocado com o relato e chego a questionar se é verídico ou se é uma parábola que criasses para nos alertar, parafraseando Saint-Exupery, que somos eternamente responsáveis por tudo aquilo que cativamos.
Quem de nós não carrega nos recônditos do ser uma história parecida, a dor por àquela visita jamais feita enquanto era tempo, àquela palavra nunca dita, àquele simples “eu te amo”, e por ao vai.
Poucos têm a coragem que tivesses de exorcizar esses fantasmas, parabéns!
A partir de hoje ganhasses mais um leitor.
Forte Abraço
João-Francisco Rogowski
WWW.rogowski.rg.com.br
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1 de Março de 2009 às 18:53
Ruy Gessinger
Tinha eu 7 ou 8 anos.
Meu pai tinha um comércio por atacado e, às vezes, pegava seu caminhão e levava produtos para “vendas” (bolichos) do interior do Município. Na volta trazia banha, batatas, milho.
Um dos pontos de parada era na Linha Araçá, na casa comercial do seu Wilibaldo. Aquelas casas eram residência, salão de baile, bolicho, tudo.
Eu descia correndo para brincar com a filha dele, da minha idade. Íamos até um arroio, onde havia uma roda de moinho. Atirávamos pedrinhas na água.
Meu pai e seu Willibaldo bebiam cerveja, amaldiçoavam Getúlio Vargas, que proibira falar alemão. Comiam torresmo de porco, peidavam e davam risada.
Quando meu pai me chamava para prosseguirmos viagem, minha amiguinha chorava. Não tinha com quem brincar.
Por vezes seu Willibaldo vinha para a cidade e trazia a filha junto. Enquanto os adultos tomavam cerveja, comiam latas e latas de pescada e arrotavam de satisfação eu e ela brincávamos nas pilhas de sacos de farinha e milho.
Depois não acompanhei mais meu pai, e aos 17 anos passei a estudar em P. Alegre.
Quando voltava a S. Cruz para visitar meus pais, eles me diziam-
- Du musst der Willibald besuchen ( tu tens que visitar o Willibaldo).
Nunca dava tempo (
desculpa de todos os crápulas).
Passaram-se os anos. Até que um dia, ao passar pelo pedágio de Venâncio Aires olhei a placa
LINHA ARAÇÁ - 10 KMS.
Entrei na estrada de chão. Ninguém sabia dizer onde era a casa do seu Willibaldo.
Até que uma senhora, com quem falei em alemão, me disse:
- Der Willibald ist schon tot ( ele já morreu). A casa que era dele é logo ali, depois da curva.
Ao chegar, logo reconhecí a casa. Só ficara a fachada; o resto, ruínas. Nos fundos, um puxado de madeira.
Uma mulher de feições cansadas, mas longe de ser velha, com uma criança no colo, assomou à porta.
- Não é aqui que morava seu Willibaldo?
- Era, eu sou a neta dele.
E tua mãe?
Morreu ano passado. Quem é o senhor?
- eu fui amiguinho de infância de tua mãe.
- ah, então o senhor é o tal Ruy. Meu vô sempre dizia que o senhor um dia ia visitar ele….Minha mãe também.
às 10:28
Ruy Gessinger