GAUCHOS - A POLÊMICA
O próprio Rio Grande do Sul é muito complicado.
Certo dia ví um estudo mostrando onde se usa o você, sim, aqui na República Farroupilha. Um dos lugares é Erexim e redondezas. E é verdade porque tenho uma cunhada que usa você.
Depois, há o caso do tu com a sequência na 3a. pessoa- ” tu falou, tu disse”. Nada contra, estou só observando.
Depois vem as entonações da fala nas nossas diversas regiões. O portoalegrês usa ” eu piensiei”, ” tomiei leitchi com cafié”, atende telefone dizendo ” aloa”.
Abre a câmera para o cenário geral.
É aquela polarização furiosa: Grêmio ou Inter, PT ou anti PT, barulho ou silêncio.
Não bastasse isso, um sentimento quase “nacional” , o hino do Rio Grande, as bandeiras gaúchas tremulando nos estádios e muitos dizendo que mais se consideram gaúchos que brasileiros.
Isso, mais um linguajar nao pasteurizado, AINDA, pela Big Sister Globo, fez os maninhos de além Mampituba nos rotularem, a todos sem exceção, de veados, ou ” viaaados” como eles gritaram na Batalha dos Aflitos e acabaram vendo o que era bom para a tosse.
Rio Grande: até os garçons de restaurantes finos são emburrados. Vai no Rio para ver: é só meu rei para cá, doutor para lá.
O Alabarse escreveu um artigo - “Chega”! que foi muito elogiado.
Não sei não, ele quer mais paz, mais bons modos, que não se faça política com tanta raiva.
Mas, ” péra aí”, a crítica, candente ou não, firme ou não, é essencial. Oposição é essencial. Por sinal, nesse “Braziuuu” de Deus, oposição já nem existe mais. Existe uma unanimidade perniciosa e perigosa.
Resumo da comédia: acho melhor a gente não se sofrenar, creio salutar sermos ainda um povo que ninguém embuçala ou cabresteia.