Entrevistas heterodoxas
Depois do sucesso da entrevista ” no enrolation” com a
Monica Leal, lá vai outra. Ninguém mais , ninguém menos que a desembargadora Maria Berenice Dias, a primeira mulher a assumir como Juíza de Direito no RGS, jurista, feminista, professora universitária, conhecida mundialmente por suas lutas por mais Justiça aos desvalidos e vítimas de preconceito.
Detalhe, Maria Berenice nasceu em Santiago - RS, o que poucos santiaguenses sabem….
Desembargadora Maria Berenice Dias:
1- Já na Faculdade de Direito da UFRGS, nos anos 60, eras notada por tua desenvoltura. Foram anos de muito estudo ou muita balada ou os dois?
Pois é, como queria muito ser juíza, não podia badalar muito. Na época isso pegava mal!
2.- És filha de desembargador. Tua educação foi liberal ou rígida?
Extremamente rígida. Meu pai achava que mulher só podia ser professora para “comprar os seus alfinetes”, mas me deu toda a força quando eu disse que queria seguir seus passos.
3. És a primeira mulher a assumir o cargo de juiza. O Tribunal simplesmente vetava as candidatas pelo pecado de serem mulheres?
As inscrições das mulheres não eram aceitas. Nunca nenhuma tinha chegado a fazer concurso, pode?
4. O que houve para que tua inscrição ao concurso fosse homologada?
Foi feita uma grande campanha na mídia. Ao depois eu já trbalhava no Tribunal há anos e era professora da UFRGS. Eles tiveram que aceitar a inscrição, não tinha outro jeito.
5. E a tal entrevista prévia. É verdade que te perguntaram se ainda eras virgem?
É verdade, o Desembargador que me entrevistou teve a coragem de perguntar.
6. O que respondeste?
Disse que era, claro.
7. E eras mesmo?
À época a virgidnade era símbolo de pureza e castidade. Como eu queria ser juíza me mantive virgem até casar. Eram outros tempos, que felizmente já acabaram.
8. Chegaste a desembargadora, luminosa carreira e tal, e agora? advocacia?
Claro que não podia abandonar meus sonhos e abri o primeiro escritório de advocacia do país especializado em direito homoafetivo. Para quem não sabe, é o direito dos homossexuais, um novo ramo do direito que precisa ser construído.
9. Que mais andas fazendo fora do magistério superior ?
Palestras, artigos, livros. Minha vida é uma loucura.
10. e a luta pelas tuas bandeiras: continua?
Já que sou advogada, requeri a criação de Comissões da Diversidade Sexual junto as OABs de todo o pais. Também estou realizando cursos de Direito Homoafetivo, pois é necessário capacitar os profissionais para trabalharem neste mercado promissor.
Afinal, quem constrói a jurisprudência são os advogados ao buscarem o Juidiciário. O juiz não pode se omitir pela falta da lei.É assim que se faz uma justiça mais justa.
Adicionar comentário 6 de Dezembro de 2008 às 18:32 Ruy Gessinger